ORÍ (ancestral), JUNTÓ , ADJUNTÓ E LATERAIS
Orixás são elementos naturais e cada um representa uma força da natureza.
São divindades ancestrais africanas que correspondem a pontos de força da
Natureza e os seus arquétipos. Estão relacionados às manifestações dessas forças. As características de cada Orixá aproxima-os dos seres humanos, pois eles manifestam-se através de emoções, incorporações ou canalizações.
Cada orixá tem ainda o seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, oferendas, espaços físicos e até horários.
Como resultado do sincretismo durante o período da escravatura, cada Orixá foi também associado a um Santo Católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Quando cultuamos os orixás, cultuamos também os 4 elementos.
Essas forças em equilíbrio produzem uma enorme energia (axé), que nos auxilia em nosso dia a dia, ajudando para que nosso destino se torne cada vez mais favorável.
Sendo assim, quando dizemos que adoramos deuses, nós nos referimos as forças da natureza, pertencentes a criação do Pai. Pai esse conhecido por nós como Olorum ou Olodumaré (Deus supremo).
ORIXÁ ORÍ (ancestral):
É aquele que rege o ser humano assim que ele foi gerado por Deus em sua formação e o distinguiu com sua essência original e natureza íntima eterna.
Ele atua no chacra coronário (centro da cabeça) algumas vezes de forma mutável.
Podemos encarnar milhões de vezes sob as mais diversas irradiações e nunca mudará a nossa natureza íntima (nosso Orí), mas como Olorun e as forças da Natureza são a favor do livre arbítrio, poderá seu filho modificar por um período essa energia ancestral, com o intuito de absorver uma nova essência de um novo Orixá, para o auxílio e solução de algo relevante.
Mas com a responsabilidade de retornar á sua essência original, assim que a situação seja resolvida. O Orixá do Orí representa a essência de quem ele rege.
ORIXÁ JUNTÓ:
Localização do ponto de força de recepção energética em toda a extensão da nuca.
Irradia, auxilia-nos com suas qualidades atributos e atribuições, o aprendizado das verdades divinas adquiridos em vivenciações passadas, bem como ao equilíbrio dos erros cometidos, a fim de nos reequilibrarmos no presente para a nossa evolução.
Ele representa a nossa personalidade.
ORIXÁ ADJUNTÓ (carrego):
Este orixá é aquele que faz par com o orixá Juntó, ora indiferente ou estimulando-nos sempre que necessário, visando o equilíbrio íntimo e o crescimento interior permanente.
Existem sete naturezas masculinas e sete femininas tão marcantes que é impossível ao bom observador não enxergá-las nas pessoas.
As entidades de trabalho normalmente servem ao orixá adjuntó nos gestos e nas
iniciativas das pessoas, já que é por intermédio do emocional que ele atua, refreando os instintos dos médiuns, apassivando seus emocionais.
Representam as forças mutáveis vida e a forma como se resultará nossas escolhas.
As 7 vibrações originais são: Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração.
ORIXÁ DA DIREITA:
Localização do ponto de força de recepção energética: região acima da orelha direita.
É aquele que irradia com suas qualidades, atribuições a nossa direita, ou seja, o nosso emocional, o nosso pólo positivo e as virtudes humanas (absorvendo os excessos ou irradiando a falta).
O lado direito do nosso cérebro físico e do cérebro espiritual comanda o nosso emocional, refletindo o nosso “Eu positivo”, ou seja, o da justiça, do bom combate, do bom caminho, da vereda certa e da vida verdadeira. É o lado que reflete as nossas “virtudes”.
É o lado da realidade.
ORIXÁ DA ESQUERDA:
Localização do ponto de força de recepção energética: região acima da orelha esquerda.
É aquele que irradia com suas qualidades e atribuições a nossa esquerda, ou seja, o nosso racional, o nosso pólo negativo, os defeitos humanos (absorvendo os excessos ou mantendo o equilíbrio).
O lado esquerdo do nosso cérebro físico e do cérebro espiritual comanda o nosso
racional, refletindo o nosso “Eu negativo”, ou seja, o das injustiças, da inércia, do mau caminho, das incertezas e da vida ilusória.
É o lado que reflete os nossos “defeitos”; o lado das ilusões.
OLORUN / OLODUMARÉ
É o ser superior dos Yorubás (segundo maior grupo étnico na Nigéria), que vive em um universo paralelo ao nosso, conhecido como Orun.
Ele é também conhecido como Ajalorun e Olodumaré (Senhor ou Rei do Orún), que através dos Orixás por Ele criado, resolve incumbir um deles, Oxalá (ou o grande Obatalá), de criar e governar a Terra do nosso universo conhecido.Ele lhe entrega o Apó-Iwá (a sacola da existência) o qual contém todas as coisas necessárias para a criação, e é aclamado como o “Senhor que tem o poder de sugerir e realizar”.
Como a tradição mandava, antes de iniciar a viagem Oxalá foi consultar o oráculo de Ifá (orixá da adivinhação), e este lhe orientou a fazer alguns sacrifícios para o orixá Exú.
Mas Oxalá era orgulhoso e prepotente e se recusou.Mas foi avisado, que infortúnios no planeta poderiam ocorrer.
Na mitologia: Diz a mitologia Yorubá que Olodumarê junto com a criação do céu e da terra, trouxe para a existência os outros Orixás, para ajudar ele a administrar sua criação e a importância de cada divindade depende da posição dentro do Panteão (lar sagrado dos Orixás) Yorubá.
O grande Deus Olodumarê enviou Obatalá para criar a Terra o mundo.
Olorun vendo que Obatalá não cumpriu sua tarefa, enviou Oduduá para verificar o ocorrido. Ao retornar e avisar que Obatalá estava embriagado de vinho de Palma, Oduduá recebeu o direito de vir e criar o mundo.Após Oduduá cumprir sua tarefa, os outros deuses também vieram e cumpriram suas tarefas. Mais tarde, todos retornaram a Orum, deixando na Terra seus conhecimentos e como deveriam ser cultuados seus toques, comidas e costumes, para que fossem cultuados pelos seus descendentes.Quando um Orixá recebe um pedido, ele o leva a Olodumarê e este decide se o pedido vai ou não ser atendido.
Este julgamento vai ser baseado no merecimento da pessoa que fez o pedido.
OXALÁ
É o governante da vida e esta associado á matriz cósmica, como princípio masculino e feminino do poder cosmogenético.
Criador do mundo, preside a passagem do sobrenatural para existência física do nascimento e também da transição, a morte, quando a pessoa perde a individualidade e volta ao pó físico e a essência matriz espiritual.
É o pai de todos os Orixás por excelência e patrono da sabedoria, tal qual Olorun é o senhor absoluto do Orun (Universo).
Ele epresenta os elementos fundamentais dos primórdios: massa de ar e massa de água. A pró-forma e a formação de todo tipo de criaturas no Ayê (terra) e no Orun (Universo).
É o dono da argila e da criação, onde molda os seres humanos em barro. Senhor do silêncio, do vácuo frio e calmo, onde as palavras não podem ser ouvidas.
Todas as histórias que relatam a criação do mundo passam necessariamente por Oxalá, que foi o primeiro Orixá concebido por Olorun e encarregado de criar não só o a Terra, como todos os seres e todas as coisas que existiriam no mundo.
No Xirê (roda de dança dos Orixás), Oxalá é homenageado por último porque é o grande símbolo da síntese de todas as origens.
Ele representa a totalidade. Exú inicia, Oxalá termina.
Na mitologia:
Olorum ordenou que Oxalá criasse o homem. Oxalá tentou, mas o ser não tomava forma definida. Tentou o fogo, mas a criatura se consumia no próprio fogo.
Fez um ser de ar que depois de pronto, retornou ao que era, apenas ar.
Triste pelas suas tentativas infecundas, Oxalá sentou-se à beira do rio de onde Nanã emergiu, indagando-o sobre a sua preocupação. Oxalá fala sobre sua frustração.
Nanã mergulha e retorna da profundeza do rio e lhe entrega lama.
Oxalá, então, cria o homem e percebe que ele é flexível, capaz de mover os olhos, os braços, as pernas e então, sopra-lhe a vida.
Qualidades de Oxalá:
Ajalá: Oxalá modelador das cabeças, foi incumbido de moldá-las. Por ser muito antigo e sábio é portanto capaz de executar tarefa tão delicada.
Pertence a Família dos Orixás Funfun (brancos). Entre os homens é reconhecido como um tipo de Oxalá que não incorpora por ser extremamente misterioso.
Akire ou Ikire: É um Oxalá guerreiro e rico que transforma em surdo e mudo a quem o negligencia.
Babakun: É mais velho que o Jobokun, é ele que permite que os orixás saiam de Orun para ocupar seus cavalos. Faz Adjuntó com Iemanjá.
Bocun: O mais novo dos Oxalás é o Orixá do crescimento e do progresso.
Dacun: O velho que se manifesta ereto, é o Oxalá do equilíbrio. Faz Adjuntó com Oxum.
Etéko: Caminha com Oxaguiã e é inquieto. Vive nas matas e come todo o tipo de carne branca.
Jobocun: É Oxalá velho ligado a outros Oxalás que se perderam e foram unidos a essa qualidade.
Orixalá: É casado com Yemowó, suas imagens são colocadas uma do lado da
outra e cobertas com traços e pontos desenhados com efum (pemba), no Ilésin, local de adoração.
Orumiláia: Orixá da visão e o mais velho dos Oxalás, apesar de ser cego. Iansã é a
menina dos olhos dele, a qual carrega seus olhos;Ele representa os olhos de Olorun, que tudo vê e tudo sabe.
Arquétipo:
Os filhos deste Orixá são conselheiros natos e estão sujeitos a receber ingratidão no decorrer da existência. Persistentes em seus objetivos, principalmente no comércio e finanças.
Temperamento retraído, desconfiado e dificilmente se abrem plenamente com alguém.
São ambiciosos devido ao seu caráter, mas poderão não ter muito reconhecimento.
Tem geralmente problemas com queda de cabelos, visão, estatura baixa e forte.
Seus aspectos positivos são a afetividade, familiaridade, concordância, maternidade, altruísmo, autoridade, liberalismo, perfeccionismo e bondade.
E seu lado inverso é o autoritarismo.
Dependendo a qualidade do Oxalá, poderá seu filho ter constituição frágil e frequentemente ser marcado por algum defeito físico. Arcar os joelhos, ficar um pouco corcunda e ter problemas de postura.
São de atitudes delicadas, amáveis e qualquer excesso, desregula sua saúde.
Odeiam barulhos, desordem, confusão, brigas e sujeiras.
São íntegros, incapazes de manter uma mentira e de concordar com uma traição.
Generosos, tolerantes, paternais e hospitaleiros.
Observador e embora quieto, percebe tudo e não esquece nada. Quando percebe uma ofensa, jamais perdoa, porém, não demonstra rancor, parecendo até indolente, apático e indiferente a tudo.
Os filhos de Oxalá são pessoas tranquilas, calmas e buscam equilibrar suas emoções até nos momentos mais difíceis.
Conseguem o respeito mesmo sem que se esforcem objetivamente para o conseguir.
Não gostam de pedir ajuda aos outros e seus ideais são levados até o fim, mesmo que todas as pessoas sejam contrárias a suas opiniões e projetos.
Gostam de dominar e liderar as pessoas.
Os filhos de Oxalá são sentimentais, amorosos e carinhosos.
Adornos: Apoxorô (cajado feito do cipó ou metal prateado, representando o céu e a terra).
Animais: Galinha e Pombo brancos.
Bebida: Água mineral sem gás, leite, vinho branco.
Cores: Branco leitoso
Data: 15 de janeiro
Dia: Domingo.
Doenças (fragilidade física): Visão, problemas de coluna, cardiovasculares e calvície.
Domínios: Poder procriador masculino, criação, vida e morte, atmosfera e o céu.
Elemento: Ar.
Ervas: Boldo, girassol, lírio, alecrim, poejo, camomila, erva de bicho, cravo, gerânio branco, arruda, erva cidreira, alecrim do mato, hortelã e levante.
Flores: Rosa branca, copo de leite, lírio branco.
Frutas: Uva Branca, Maracujá, Pêracoco, Pera, Uva Branca, Pêssego Branco.
Kizila: Azeite de dendê.
Metal: Prata, platina, níquel.
Odú que rege: Odi Mejí.
Oferendas: Canjica branca, arroz branco, feijão branco, inhame, arroz doce e mel.
Cores: Branco e Marfin.
Pedra: quartzo branco, cristal de rocha, calcita ótica e jade branco.
Saudação: Epa Babá ô (Obrigado Pai).
Sincretismos: Jesus, Gaia, Hórus, Geb e Ceu.
OXALUFAN
Denominado o Orixá Babá, divindade da fertilidade, é o pai criador do homem, protetor por excelência.
Oxalufan é o Rei do pano branco, é velho e sábio.
Sua ação se manifesta através da luz, da fé, da paz e da razão.
Possui um caráter obstinado, altivo e feito pelo criador antes de todos os outros.
Orixá muito velho, aleijado, lento, move-se com muita dificuldade e dança apoiado no opaxoró. Detesta a violência, disputas e brigas. Não come sal nem dendê e odeia cores fortes, principalmente o vermelho.
Para Oxalufan, a ideia e o verbo são sempre mais importantes que a ação, não sendo raro encontrá-los em carreiras onde a comunicação e expressão seja o ponto fundamental.
Na mitologia:
Oxalufan, com seu opaxorô, separou a Terra e o céu, que no início dos tempos, estavam no mesmo nível de existência.
Os três pratos que fazem parte do cajado, simbolizam a sua supremacia sobre os mundos dos seres humanos, dos Espíritos e dos Orixás.
O pássaro, que está pousado na ponta do opaxorô, é um mensageiro que faz a ligação entre esses mundos.
Com esses pratos, Oxalufan carrega e distribui o alimento sagrado para todos os seres humanos e encantados e os pingentes que estão presos a eles, simbolizam os presentes que lhe eram ofertados nos diferentes lugares por onde passou, em suas caminhadas pelo mundo.
Esse orixá, assim como Nanã, é bem-vindo em todos os reinos. O raciocínio é a grande contribuição desse orixá para os seres humanos, diferenciando-o assim, dos animais.
Todos os Orixás que vestem branco, ou Fun-funs (mesmo Ogun ou Oyá), herdaram esse dom de Oxalá de uma forma mais intensa, e o transferiram para seus filhos na Terra, que por esse motivo, possuirão um pensamento engendrado e a constante reflexão sobre todos os aspectos da sua existência.
O alá é um outro símbolo de Oxalufan, que consiste num pano branco usado para protegê-lo do calor, bem como abrigar sob sua proteção, todos os seres criados.
Qualidades de Oxalufan:
Òsafúru: É especialmente indolente, indiferente, apático e taciturno.
Osalúfón: Mostra-se apegado ao passado, á respeitabilidade. É organizado e pontual ao extremo, mas afável.
Olúwifin: Tem espírito perspicaz e sutil. Conhece o homem e raramente se engana. É um tipo lento, sereno e seguro, de grande vida interior.
Baba Ajale: É um tipo concentrado, seguro, perseverante, falta-lhe calor e espontaneidade, mas é profundo, constante, lógico e ponderado.
Orixá L’lú: Possui uma cabaça exageradamente volumosa.
Ópásóró: Evoca o tronco das árvores que unem o mundo dos vivos e o além e representa o poder do princípio masculino.
Arquétipo:
Seus filhos são observadores e compreensivos e não sabem disfarçar suas emoções.
Sua tranquilidade, dignidade e forte moralidade o impedirão de recorrer a meios desonestos para atingir seus objetivos.
Dotados de incrível paciência, detestam discussões, mas são muito teimosos.
Nascem para a liderança, por isso espera ser respeitado e ouvido quando se manifestam.
A imaginação deles é viva e gostam de meditar em lugares tranquilos, onde podem ter ideias originais.
No amor são ciumentos e muito zelosos, sua cólera é evidente, com manifestações ruidosas, mas não guardam rancores. Mas quando violentos podem ser bastante desagradáveis.
Como amigos, são fiéis, protetores, generosos e sérios, ajudando sem limites.
O tipo físico de Oxalufan é frágil, friorento e muito sujeito a resfriados.
Compensa sua debilidade física com grande força moral, e seu alvo à realizar a condição humana no que tem de mais nobre. É fiel no amor e na amizade.
Adorno: Opaxoró
Animais: Pombo branco.
Cores: Branco e cristal.
Data: 15 de janeiro.
Dia: Sexta-feira.
Domínios: Poder procriador masculino, criação, vida e morte.
Elementos: Atmosfera e céu.
Ervas: Malva cheirosa, saião, algodão, manjericão, língua-de-vaca, folha-da-costa.
Ferramentas: Cajado, pomba de prata, moedas e búzios.
Flores: Rosa branca.
Frutas: Uva Branca e côco.
Kizila: Azeite de dendê, sangue e sal.
Metal: Prata, ouro branco, chumbo e níquel.
Odú regente: Ofun.
Oferendas: Arroz branco e mel.
Pedras: Cristal, diamante.
Saudação: Epa, Babá! Exeuê, Babá.
Sincretismos: Jesus, Gaia, Hórus, Geb e Ceu.
OXAGUIAN
Também conhecido como Ajagunã, é o conflito que antecede a paz e a própria revolução que dá início as mudanças, as transformações, visando o futuro de maneira abrangente e não superficial, necessária ao dinamismo da vida e da sociedade.
Ele é a busca do conhecimento.
Orixá do progresso e da cultura, da vida e também da efervescência da vida, da discussão, da guerra e do avanço, da estratégia, da inteligência, do positivo e do masculino.
Oxaguiã é também guerreiro, e sente prazer em destruir para concretizar, para que o novo se estabeleça.
É o filho de Oxalufan, considerado o Oxalá novo, aquele que carrega a espada e o escudo.
Por ser um Orixá guerreiro, é o único que tem autorização de enfeitar seus colares brancos com as pedras azuis, e suas roupas brancas podem, às vezes, levar uma franja vermelha.
Está ligado ao culto de Iroko e dos espíritos, com a fertilidade e o culto dos inhames (para eguns).
Tem muito fundamento com Iansã, pois é o dono do Atorí (árvore que estimula a penitência), fundamento que lhe foi dado por ela, motivo pelo qual as pessoas de Oxaguian devem agradar muito a Iansã.
Tem ligação forte com Exú e seus filhos devem evitar brigas, confusões e mentiras
É um Orixá que necessita de atenção, pela polaridade nele contida: a guerra e a paz.
É considerado o Santo das derrotas, das lutas, das batalhas, das guerras, mas também considerado um Orixá que trás muita vitória quando resolve vencer sua demanda.
Na mitologia:
À Oxaguian, Olorun confiou a vida, o dia e a criação.
Um dos mitos, diz que Oxaguian nasceu apenas de Obatalá. Não teve mãe.
Nasceu dentro de uma concha de caramujo e não tinha cabeça e por isso, perambulava pelo mundo sem rumo.
Um dia encontrou a divindade Ori (deus portador da individualidade de cada ser humano) numa estrada e este lhe deu uma cabeça feita de inhame pilado.
Apesar de feliz com sua cabeça, ela esquentava muito e quando esquentava, Oxaguian criava mais conflitos. Foi quando um dia encontrou a morte (Iku), que lhe ofereceu uma cabeça fria.
Apesar do medo que sentia, o calor era insuportável e ele acabou aceitando a cabeça preta que a morte lhe deu, mesmo sendo dolorida e fria demais.
Oxaguian ficou triste, porque a morte com sua frieza, estava o tempo todo o acompanhando.
Foi então que Ogum apareceu e deu sua espada para ele, que espantou Ikú.
A partir deste dia, ele e Ogum andam juntos transformando o mundo. Oxaguian depositando o conflito de ideias e valores que mudam o mundo e Ogum fornecendo os meios para a transformação, seja a tecnologia ou a guerra.
Arquétipos:
Os filhos de Oxaguian são tranquilos, risonhos, prestativos e estão sempre dispostos a ajudar o próximo.
Carismáticos, inteligentes, elegantes, falantes e com grande senso de justiça.
Fazem questão de disciplina e gostam de se sentir amados.
Eles optam por trabalhos relacionados a mudanças, como por exemplo, derrubar o que está velho para construir o novo e moderno.
São ótimos desenhistas, arquitetos, gestores, analistas, terapeutas e publicitários.
São muito fiéis e dedicados a religiosidade, aos seus juramentos e muito caridosos.
Se houver filhos de Oxaguian em hospitais, optarão por clínica geral, pois dificilmente conseguirão ser cirurgiões, eis que têm barreira em relação a sangue.
São de físico bonito mas não exuberante.
Adornos: Espada, mão de pilão e um escudo.
Animais: Pombos brancos, cavalo branco, camaleão e igbin (caracol).
Cores: Branco e azul claro.
Data: 23 de abril.
Dia: Sexta-feira.
Doenças (fragilidade física): Stress e sistema nervoso.
Domínios: Vida, criatividade, estratégia de guerra, invenções, o debate e o dia.
Elementos: Ar e água.
Ervas: Boldo, girassol, lírio, alecrim, poejo, camomila, erva de bicho, cravo, gerânio branco, arruda, erva cidreira, alecrim do mato, hortelã e levante.
Flores: Lírios
Frutas: Fruta do conde e côco.
Metal: Prata.
Odú: Eji Onilê
Oferendas: Inhame pilado ou canjica branca com oito bolas de inhame por cima.
Saudação: Epi Epi bàbá!!!
Sincretismos: Jesus, Gaia, Hórus, Geb e Ceu.
EXÚ (BARÁ)
Orixá Exú é uma divindade criada e manifesta desde os tempos primordiais, ligado a forças energéticas.
Orixá da comunicação, dos caminhos, da compreensão mental e da lei!
Exú é quem estabelece a extensa rede de comunicação entre os seres humanos e a natureza divina que nos circunda.
Está diretamente ligado e relacionado com as partículas atômicas e as cargas elétricas que o sangue se encarrega de distribuir.
Portanto, atua como plasma sanguíneo, bioelétrico.
Desta forma, o plasma bioelétrico permite estabelecer uma relação entre os processos internos do organismo e as condições externas do ambiente.
Quando Exú está próximo, a nossa aura fica avermelhada e por mais frio que esteja, a temperatura ambiente ficará quente.
Quando ocorre da pessoa ter o afastamento desta energia, quando esta desequilibrado ou rompido com o ser, a sua aura, a sua esfera vibracional, fica completamente azul e a pessoa passa a agir com absoluta emoção.
Acaba se perdendo e desorganizando a sua vida, já que informações de fora, não chegam corretas e completas ao cérebro. Da mesma maneira que as de dentro não atingem a consciência do todo.
A dualidade é uma realidade característica do universo.
O equilíbrio é mantido sob dois pólos.
Esta dualidade muitas vezes cria controvérsia, e temos com Orixá Exú, talvez a mais polêmica e controvertida energia.
Dúvidas imputadas pela distorção do conhecimento.
Estímulo da imaginação visando manipular através do medo usando má fé e principalmente a influência negativa por falta de conhecimento, bitolando as mentes das pessoas, inbutindo a maldade, o feio como oposto de uma nova criação mandatária e interesseira, como sendo o legado do bem e do divino.
Por muito tempo, Exú é tido por muitos, como a personalização do demônio do diabo.
Mas não é verdade e chega as margens da grosseria.
Orixá Exú é o elemento dialético do cosmo, estando em todo local. É a força que esta em toda parte e pertence a todos os domínios existentes.
Esta energia esta diretamente associada e cumprindo o organograma estipulado por Olorun, sendo mensageiro dos demais Orixás.
É importante frisar que os demais Orixás, com suas responsabilidades em termos universal, tem também um Exú individualizado para servir de elemento de ligação entre o divino e os mortais.
E mesmo assim, Orixá Exú não perde sua individualidade e sua energia.
Pelo contrario, ele absorve a energia a que esta vinculado e recomeça junto com a sua energia, uma nova trajetória, harmonizado com o todo e visando o cumprimento da regra do conjunto.
Ele é o primeiro filho de Iemanjá. Originalmente era o sol nascente, o fogo serpentino, crescente, criador e também destruidor. Mas não aceite o destruir como sinônimo de estragar, mas sim, uma necessidade de modificação buscando manter a evolução e o movimento.
Orixá Bará tem o privilégio de receber todas as obrigações em primeiro lugar.
É o mercador que move o mercado e os negócios. Amigo dos prazeres da vida. Adora comer, beber, cantar, dançar e rir.
Orixá Exú é BOM! O que não é bom, é a conduta e postura dos homens que desejam utilizar a energia dele para situações que alterem a evolução, principalmente utilizando sua carga negativa saturada.
Não podemos esquecer que por ele ser o Orixá mais próximo da energia humana, ele tem acesso direto á todos os desejos, ambições e valores que nós humanos, possuímos.
Acima de tudo, é um Orixá que sua energia e vibração, possuem raciocínios da mente humana.
Como dono das chaves, dos portais, encruzilhadas e caminhos, deve sempre ter suas saudações, obrigações e rezas, feitos em primeiro lugar.
Assim nós humanos, garantimos a segurança de abertura do nosso ritual.
Exú é responsável pela boa abertura dos trabalhos, abrindo caminhos e portas.
Na mitologia:
Exu foi o primeiro filho de Iemanjá e Oxalá. Ele era muito levado e gostava de fazer brincadeiras com todo mundo. Tantas fez, que foi expulso de casa.
Saiu vagando pelo mundo, e então o país ficou na miséria, assolado por secas e epidemias.
O povo consultou Ifá, que respondeu que Exu estava zangado porque ninguém se lembrava dele nas festas; e ensinou que, para qualquer ritual dar certo, seria preciso oferecer primeiro um agrado a Exu.
Desde então, Exu recebe oferendas antes de todos, mas tem que obedecer aos outros Orixás, para não voltar a fazer tolices.
Qualidades de Exú:
Abanadá: É a qualidade utilizada com eficácia nos axés de limpeza e descarrego de ebós negativos.
Adague: Aquele que cuida dos caminhos e atua como zelador. Recebe suas oferendas nas encruzilhadas e seu assentamento é feito dentro do templo É um dos mais
requisitados, pois faz a frente de Ogum, Oyá, Xangô, Oxóssi, Otim, Obá, Ossain e Obaluaê.
Agelú: Ajelú ou Ijelú é o chamado menino, o mais novo dos Barás. Talvez seja um dos mais cultuados e utilizados em axés, principalmente de amarração e correção de distúrbio de personalidade. Este é o Bará que faz a frente dos Orixás de água: Oxum, Iemanjá e Oxalá.
Aluvaia: O mais humano de todos os Orixás, possui todas as qualidades e defeitos.
Burucu: Auxiliar direto das entidades envolvidas com espíritos obsessores.
Demí: Bará muito requisitado para axés que envolva dinheiro.
Elebó: Senhor-das-oferendas.
Elegbára: Senhor da força. Uma divindade Vodoun e é visto como o senhor do caos.
Lalú: Bará observador, aquele que tudo vê, silencioso. Gosta de resolver questões difíceis, problemas que aparentemente não tem solução, gosta de quebrar mandigas.
Gogó: É conhecido também como o Exu responsável pela recompensa divina a todos os atos dos seres humanos, desencarnados e encarnados. Exu Gogó conhece todas as nossas reencarnações e estende sua ação através destes diversos ciclos encarnatórios. Aquilo que costumamos chamar lei do retomo é exatamente a função do exú Gogó, fazer este retorno acontecer. Quando isto não acontece numa vida, poderá ser resgatado numa próxima encarnação.
Lanã: Bará dos caminhos. Trabalha nos cruzeiros e todos tipos de encruzilhada. Tem as mesmas atribuições do Bará Adague. Responde também nos cruzeiros de mato.
Lodê Olodé: Tem seu assentamento feito do lado de fora do templo. Divide sua morada com Ogum Avagãn. É o Exú que mantém a estrutura do templo. A sustentação dos terreiros depende do Bará Olodê, aquele que fica fora no relento, ou a frente.
Odara: Senhor da Felicidade aquele que guia, mostra o caminho, vai na frente.
É da paz e do branco, é o verdadeiro Exú de Oxalá.
Gosta de trabalhar para restaurar a harmonia perfeita da família dentro da sua casa.
Ojise-Ebó: Encarregado de transportar as oferendas.
Opin: é o Bará que deve ser evocado sempre que queremos estabelecer um local como sagrado. É ele quem faz a demarcação dos limites que separam o espaço sagrado do espaço comum.
Oro: Responsável pela transmissão do poder através da fala. Ele é quem dá para os sacerdotes e sacerdotisas o poder de acionar as forças espirituais através das evocações sagradas: preces, encantações, cânticos. Existem algumas palavras de grande axé usadas nos rituais sagrados que muitas vezes não se conhece a tradução. Elas funcionam como códigos para abrir certos portais do mundo invisível, acionando o poder para transformar nossas vidas.
Tolabí: Bará vinculado as entidades de Oxum, sendo muito utilizado para vibrações em que envolva vícios e parte financeira.
Wara: Bará que controla os relacionamentos Interpessoais: amizade, sociedades, casamento, vinculo familiar, fraternidade religiosa, etc.
Arquétipos:
Aqueles que são regidos por Exú, apresentam uma personalidade muito marcante e um comportamento cotidiano muito diverso.
São pessoas altamente fiéis aos seus princípios, aos amigos e ás suas causas.
São corajosos e dedicados; amáveis, não medem esforços para auxiliar aqueles que amam.
Excelentes amantes, a virilidade é uma característica básica dos regidos por Exú.
São comerciantes hábeis e espertos, profissionalmente sempre chegam ao seu objetivo, mesmo que para isto tenham que se empenhar de corpo e alma para conseguirem suas metas.
Fortes, capazes, felizes, participativos, francos, espertos, inquietos, saudáveis, sinceros, astutos, atentos, rápidos, despachados e sagazes.
Os filhos deste Orixá podem ter problemas com circulação, cardíacos, articulações e sistema nervoso.
São sonhadores, gostam de liberdade, mas não as dão.
Amigos dos prazeres da vida adoram comer, beber, mas muitas vezes quando bebem, tudo pode mudar, tornando-se mentirosos, briguentos, rabugentos, provocativos, insolentes, desordeiros, indesejáveis, mal educados, atrevidos, principalmente provocadores de situações embaraçosas ligados a infidelidade.
Gostam de lidar com fracos e doentes.
Adornos: Ógo (um tipo de bastão esculpido em madeira em forma de pênis).
Animais: Galo e pombo de rua.
Bebida: Aguardente, Whisky e conhaque.
Cores: Vermelha, preta, vermelha e preta.
Data: 13 de junho
Dia: Segunda
Domínios: Ligação do material com o espiritual, abertura de caminhos e descarregos e transformação.
Elementos: Terra e fogo.
Emblema: Tridente (símbolo de poder)
Ferramentas: Tridentes, facas, cajados, crânios, velas e cruzes.
Folhas: Folha de fogo, Coração-de-Negro, Aroeira vermelha, Alfavaca, Olho de cabra e Figueira Brava.
Frutas: Não come frutas.
Metal: Não tem, sua matéria é a terra em seu estado de pureza.
Odú: Okaran e Owarín.
Oferendas: Farinha de Mandioca com Dendê, Pimenta, Carne Mal Passada e Pinga.
Pedras: Rubi, Onix e Granada.
Saudação: Laroyê
Sincretismos: Santo Antônio, Hermes, Bes e Mercúrio.
OGUM
É considerado o Orixá ferreiro, senhor dos metais, responsável por forjar suas próprias ferramentas, tanto para caçar como para a agricultura e para a guerra.
Ogum é considerado o primeiro dos Orixás a descer do Orun (céu) para o Ayê (terra) após a criação, visando uma futura vida humana.
Ele tem um molho de sete instrumentos de ferro: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, espada e faca, com as quais ajuda o homem a vencer a natureza.
É a divindade da metalurgia, do ferro, aço e outros metais fortes.
Ogum é a força incontrolável e dominadora do movimento. Patriarca dos exércitos, dono das armas. É o poder do sangue que corre nas veias.
Orixá da manutenção da vida.
Como o Exú, Ogum está presente no calor, na ira, no ódio, na cólera, na emoção, na vontade de exterminar.
É um Orixá, uma força da Natureza que se faz presente nos momentos de impacto e nos momentos fortes. Se manifesta na explosão como no derramamento do ferro fundido.
Considerando como um Orixá impiedoso e cruel, ele pode até passar essa imagem, mas sabe ser dócil e amável quando quer ou precisa.
Representa o progresso a vanguarda as experiência cientificas, a eletricidade, a eletrônica.
Na mitologia:
Ogum é filho de Oduduá e Oxalá.
É o filho mais velho de Oduduá, o herói civilizador que fundou a cidade de Ifé.
Quando Oduduá esteve temporariamente cega, Ogum tornou-se seu regente em Ifé.
Sua origem, de acordo com a história, data de eras remotas.
Ogum é o último Igbá Imolé. Os Igba Imolé eram os duzentos Orixás da direita que foram destruídos por Olodumaré após terem agido mal.
A Ogum, o único Igba Imolé que restou, coube conduzir os Irun Imole, os outros quatrocentos orixás da esquerda como o rei deles.
Era um guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos.
Dessas expedições, ele trazia sempre um rico espólio e numerosos escravos.
Guerreou contra a cidade de Ará e a destruiu. Seu mito mais conhecido, conta que Ogum foi desbravar a última terra que queria, em nome da aldeia que ele vivia, com o objetivo de dar a eles, terras mais férteis, maiores e com muita agricultura.
Por ter sido uma terra distante e cheia de inimigos contra o seu exército cansado de tantas outra batalhas, Ogum demorou muito mais que o de costume para sua aldeia. Com isso, destruíram seu trono e iniciaram uma civilização sem rei.
Sem lei e sem regras.
Ogum vendo tudo isso quando voltou de sua batalha mais longa e cansativa, mesmo vitorioso, se sentiu traído e com isso, decepou a cabeça de todos os habitantes de sua aldeia, tornando se assim, o Orixá mais solitário de Orum.
Qualidades de Ogum:
Ogum Mejê: O mais velho de todos, a raiz dos outros, velho, solteirão e rabujento.
Ogum Já: Como indica seu nome, é particularmente combativo. Amigo do cachorro que lhe é consagrado, é como ele, um protetor seguro.
Ogum Ajaká: Verdadeiro Ogum guerreiro, que em princípio se veste de vermelho. Teria sido rei de Òyó e irmão de Xangó. É um tipo agressivo de Ogum. Um verdadeiro militar.
Ogum Xorokê: Usa contas de um azul escuro que se aproxima do roxo. Xorokê é um Ogum que se mistura com Exu, agitado, instável, suscetível e manhoso.
Ogum Wori: É um Ogum perigosoe feiticeiro.
Ogum Lebede: Marido de Iemanjá Ogunté e pai de Ogum Akoro. Representam um tipo mais velho de Ogum, trabalhadores, severos, que “não brincam em serviço”.
Ogum Akoró: É o irmão de Oxóssi, ligado a floresta.
Ogum Olode: É o Ogum dos caçadores de Ketu, amante e protetor de todos os animais.
Arquétipos:
Fisicamente, os filhos de Ogum são magros, mas com músculos e formas bem definidas.
Compartilham com Exú o gosto pelas festas que não acabam e gostam de discutir. Se não fizerem a sua própria briga, compram a de seus camaradas.
Sexualmente, os filhos de Ogum são muito ativos e amantes da natureza. Gostam de pisar a terra com os pés descalços.
São pessoas batalhadoras, que não medem esforços para atingir seus objetivos, mesmo contrariados. Lutam incansavelmente e muitas vezes, vencem.
São extremamente pontuais e ficam enlouquecidos quando uma pessoa se atrasa ou cancela um compromisso previamente agendado, seja por qual motivo for.
Não se prendem à riqueza, mas gostam do poder e essa necessidade de estar sempre à frente, pode torná-los pessoas um pouco egoístas.
Geralmente os filhos de Ogum são pessoas alegres, que falam e riem alto para que todos se divirtam com suas histórias e que adoram compartilhar a sua felicidade. Os filhos de Ogum custam a perdoar as ofensas dos outros. Não são muito exigentes na comida, no vestir, nem tão pouco na moradia, com raras exceções.
São pessoas determinadas e com vigor e espírito de competição. Mostram-se líderes natos e com coragem para enfrentar qualquer missão, mas são francos e, às vezes, rudes ao impor sua vontade e ideias.
Arrependem-se quando sabem que erraram, e com isso, tornam-se abertos a novas ideias e opiniões, desde que sejam coerentes e precisas.
As pessoas de Ogum são práticas e inquietas, não gostam de traição, dissimulação ou injustiça com os mais fracos. A sua impaciência é marcante.
Como os soldados que conquistavam cidades e depois a largavam para seguir em novas conquistas, os filhos de Ogum perseguem tenazmente um objetivo. Mas quando o atinge, imediatamente o larga e parte em procura de outro. É insaciável em suas conquistas.
Adornos: Espada e peças de ferro.
Animais: Cavalo, cachorro e barata.
Bebida: Cerveja clara e rum.
Cores: Azul Escuro.
Data: 23 de abril.
Dia: Terça-feira.
Doenças (fragilidade física): Anemia, hepatite, vesícula, ferimentos e cortes.
Domínios: Estradas, ruas, caminhos, progresso, demandas e conquistas.
Elementos: Terra (estradas) e todos os metais.
Ervas: Abre caminho, Quebra demanda, carqueja, folhas de romã, espada de S. Jorge, peregun, levante, macaé e jurubeba.
Ferramentas: Espada, faca, bigorna, búzios, moedas, martelo, lança, ferradura.
Flores: Cravo vermelho
Frutas: Laranja, côco e marmelo.
Metal: Ferro (mas todos os metais são de Ogum).
Odú: Etaogunda.
Oferendas: Inhame, feijão preto, costela assada e feijoada com carne de boi.
Pedra: Lápis-lazúli.
Saudação: Ogum Iê Patacori (cortador de cabeça).
Sincretismos: São Jorge, Ares, Seth e Marte.
OXÓSSI (ODÉ)
Orixá da caça, das florestas, dos animais, da fartura e do sustento. Está nas refeições, pois é quem provê o alimento.
É a ligeireza, a astúcia, o foco nos objetivos, a sabedoria, o jeito ardiloso para capturar a caça.
É um Orixá de contemplação, amante das das coisas belas.
É o caçador de axé, aquele que busca as coisas boas para o ilê, aquele que caça as boas influências e as energias positivas.
Na África, Oxóssi era considerado o guardião dos caçadores, pois cabia a ele, trazer o sustento para a tribo.
Hoje, Oxóssi é quem protege aquelas pessoas que saem todos os dias para o trabalho, para trazer o sustento.
Oxóssi também está ligado às artes.
Ele está presente no ato da pintura de um quadro, na confecção de uma escultura, na composição de uma música, nos passos de uma dança, nas misturas de cores, na escrita de um poema, de um romance de uma crônica. Está na arte em um modo geral, desde o canto dos pássaros, ao canto do homem.
Oxóssi também rege o revoar dos pássaros, a evolução das pequenas aves.
Oxóssi é a vontade de cantar, de escrever, de pintar, de esculpir, de dançar, de plantar, de colher, de caçar, de viver com dinamismo e otimismo.
Curiosamente, também é a comodidade, a vontade de admirar, de contemplar.
Na mitologia:
Por ter a cidade de Kêtu da qual era rei, destruída quase por completo e os seus habitantes, muitos consagrados a Oxóssi, terem sido vendidos como escravos no Brasil e nas Antilhas, possibilitou o renascimento de Kêtu, não como estado, mas como importante nação religiosa do Candomblé.
A Oxóssi são conferidos os títulos de Alakétu, Senhor de Kêtu e Onilé, o dono da Terra, pois na África cabia ao caçador descobrir o local ideal para instalar uma aldeia, tornando-se assim o primeiro ocupante do lugar, com autoridade sobre os futuros habitantes, filho de Iemanjá e Oxalá.
Outras histórias relacionadas com Oxóssi apontam-no como irmão de Ogum.
Além de irmão, Oxóssi é grande amigo de Ogum e onde está Ogum estará Oxóssi.
Oxóssi mantém estreita ligação com Ossaim, com quem aprendeu o segredo das folhas e os mistérios da floresta, tornando-se um grande feiticeiro.
A rebeldia dele é algo latente na sua história. Foi desobedecendo às interdições que Oxóssi se tornou Orixá.
Tal como Xangô, Oxóssi é um orixá avesso à morte porque é expressão da vida.
A Oxóssi não importa o quanto se viva, desde que se viva intensamente.
Conta a lenda que um pássaro maligno das Iyamís, ameaçava a aldeia e Oxóssi, que era um grande caçador, só tinha uma flecha para matar o pássaro e não podia errar. Todos os outros já haviam errado o alvo. Ele não errou, e salvou a aldeia.
Tornando-se assim, o caçador de uma flecha só!
Qualidades de Oxóssi:
Akuereran: Tem fundamento com Oxumarê e Ossaim. Ele é o dono da fartura e mora nas profundezas das matas. Veste-se de azul claro e tiras vermelhas. Suas contas são azul claro. Seus bichos são o pavão, papagaio e arara.
Arolé: Propicia a caça abundante. Um verdadeiro rei de Ketu.
As pessoas dele são muito antipáticas. Jovem e romântico, gosta de namorar, vive mirando-se nas águas, apreciando sua beleza. Veste azul claro, aprecia a carne de veado e é ágil na arte de caçar.
Ibualamo: É velho e caçador e come nas águas mais profundas. Conta um mito, que Ibualamo é o verdadeiro pai de Logun-Edé.
Apaixonado por Oxum vendo-a no fundo do rio, ele atirou-se nas águas mais profundas em busca do seu amor.
Sua vestimenta é azul celeste, como suas contas, usa um capacete feito de palha da costa e um saiote.
Gogobilá: É um Odé jovem. Tem fundamento com Oxalá e Oxum. Inlé: É o filho querido de Oxaguian e Iemanjá. Veste-se de branco.
Usa chapéu com plumas brancas e azul claro. É tão amado que Oxaguian usa em suas contas um azul claro de seu filho. É o caçador de elefantes.
Kare: É ligado as águas e a Oxum, porém os dois não se dão bem, pois, exercem as mesmas forças e funções. Usa azul e um banté dourado.
Traz a vaidade consigo e é bom caçador. Mora perto das fontes.
Koifé: Seus eleitos ficam um ano recolhido, tomando todos os dias o banho das folhas. Veste vermelho, leva na mão uma espada e uma lança.
Vive muito escondido dentro das matas, sozinho. Usa um capacete que lhe cobre todo o rosto.
Mutalambo: Tem fundamento com Exú.
Tókúeran: Título que recebeu ao matar o pássaro de Iyamí e veste-se de azulão com branco.
Walé: É o Oxossi velho e usa contas azuis escuro. É considerado como rei na África, pois, seu culto é ligado diretamente a pantera. É muito severo, austero, solteirão e não gosta das mulheres, pois as acha chatas, falam demais e são vaidosas.
Arquétipos:
Seus filhos são alegres e joviais, muito falantes, nervosos e inseguros, embora não transmitam essas emoções. Sua companhia é agradável e estimulante.
Em alguns momentos, são agressivos e francos a ponto de serem grosseiros, porém, a simpatia que ele irradia faz com que sempre esteja rodeado por um grupo dinâmico.
Místicos e intuitivos, são dotados de notável rapidez mental, gostam de ouvir conselhos e orientações, mas esquecem tudo na hora de agir, tornando-se então, precipitados e sem lógica e, por vezes, indecisos: acompanhá-los não é fácil.
Tem muitos amigos, mas não gosta de intimidade excessiva. É amável e acolhedor, mas reserva-se bastante.
Deixa-se levar por elogios, o que lhe traz alguns dissabores na vida.
Fala e escreve muito bem, excelente coordenador de atividades, distribui bem as tarefas de cada um, só que para ele nunca sobra nada para fazer embora pareça ser o mais ativo de todos.
É inventivo e original em seus planos, é astuto e sagaz, mas também é impaciente com os lentos, com os calmos e reflexivos, deixando para trás aqueles que não acompanham seu ritmo ativo.
Estão sempre prontos para ajudar, porém não toleram que abusem de sua ajuda ou tirem proveito dele.
Muito sentimentais, os filhos de Oxóssi precisam do conforto do amor, mas quando se envolve e percebe que sua liberdade fica comprometida, é quando recua assustado.
Mas quando bem harmonizado intelectualmente e sentindo-se livre, mantém-se num relacionamento estável.
Provavelmente, quem inventou o casamento em casas separadas foi um filho de Oxóssi.
Sua personalidade independente, exige que ele tenha um canto só seu, onde nada e ninguém o perturbe.
Ali ele se reequilibra e recupera seu sistema nervoso. Pode ser controlado, mas nunca pressionado.
Os assuntos secretos, o ocultismo e o esoterismo o atraem
Um relacionamento cármico será possível para ele, pois está aberto a reconhecê-lo em todos os níveis, tirando dele o aprendizado necessário.
O filho de Oxóssi tem aptidões múltiplas, gosta do estímulo mental constante e procura sempre novidade no que faz. Essas características norteiam sua vida profissional. Toma decisões rapidamente e é bom para enfrentar crises, mas distraído com pequenos detalhes.
Adorno: Ofá (arco e flecha).
Animais: Porco e faisão.
Bebida: Aluá, garapa, vinho doce, mate, água de coco e vinho moscatel.
Cores: Azul claro, verde e amarelo e azulão com branco.
Data: 20 de janeiro.
Dia: Quinta-feira.
Doenças (fragilidade física): Aparelho respiratório.
Domínios: Matas, florestas, caça, agricultura, alimentação e fartura.
Elemento: Terra.
Ervas: Aroeira, abre caminho, acácia, acácia jurema, alecrim, alfavaca do campo, aperta ruão, arruda, curraleira, espinho cheiroso, eucalipto, goiabeira, groselha (folhas), guiné, guiné pipi, guiné caboclo, ingá, jaborandi, jurema, língua de vaca, maminha de vaca, mangueira, peregum, pitanga, rabo de tatu, saião e samambaia.
Ferramentas: Ofá (arco e flecha), bodoque e búzios.
Flores: Todas de pendão, palmas brancas, palmas vermelhas e girassol.
Frutas: Abacate, ameixa, butiá, coco, milho verde.
Metais: Zinco, mercúrio, latão.
Odú: Obará.
Oferendas: Costela de Porco e feijão miúdo, côco, milho, moranga e frutas.
Pedras: Esmeralda, quartzo verde, aventurina, jade, turqueza.
Saudação: Okê / Odé Kokê Maió / Okebambo / Ará Unsê Kokê Ode (guardador do corpo e caçador)
Sincretismos: São Sebastião, Deméter, Osíris e Ceres.
IANSÃ (OYÁ)
É a divindade dos ventos, guerreira, forte e destemida. Orixá veloz que nos golpeia com a rapidez de um piscar de olhos.
Está presente no tempo e no espaço. O ar em movimento caracteriza a sua essência. É como o fogo que nos queima, sem que tenhamos posto a mão nele.
É o Orixá que faz as coisas simultaneamente, graças a sua agilidade de espalhar o seu axé no mundo dos vivos e dos mortos.
Em muitas ocasiões é descrita como masculinizada, não poupando esforço para alcançar seus objetivos.
Da mesma forma que a Orixá Nanã, ela tem ligação direta com os Eguns, com sua forma de feitiçaria bem definida e estabelecida, comandando os espíritos dos mortos, o que é visto como a mais masculina de todas as tarefas possíveis, afinal só os homens podem ajudar nos rituais dedicados aos mortos.
Iansã tem um vasto campo de ação e desenvolve o encaminhamento de espíritos desvairados, enviando-os ao Orun onde serão equilibradas suas energias.
Mas no mundo espiritual, não serão as entidades apenas encaminhadas. Serão organizadas para que o equilíbrio venha em benefício individual ou coletivo.
Ela combate os Eguns e sempre vence, assegurando assim, a supremacia dos Orixás sobre o universo e os seres de qualquer natureza.
É a força impulsiva e firme que por experiência própria, diz que não convém se deixar levar pelas emoções.
Orixá dos ventos, mas também dos raios e tempestades. Orixá guerreira, possui uma espada ou sabre como símbolo da sua índole característica de guerreira.
Presente em nível de mudança, transformação, como energia propulsora e renovadora.
Em nível de terra, este Orixá está diretamente relacionada ao intelecto, tal como Xangô, mas de forma distinta, pois Xangô é de energia refreadora. Em termos práticos, coloca o método no pensamento ágil gerado pela por Iansã. Consequentemente, esta Iabá (orixá feminino) está diretamente ligada as mudanças climáticas.
Iansã é muito parecida com Xangô, quase uma cópia feminina do senhor do trovão.
É a esposa do Xangô mais jovem, guerreia com ele e detém o poder sobre o fogo.
Sua dança é muito expansiva, ocupando grande espaço e chamando muita atenção.
Iansã é a que sai em busca do sustento.
Ela quer uma pessoa para amá-la e não para sustentá-la.
Dona da aliança atua em todos os campos que envolvam o relacionamento amoroso, por isso é muito solicitada para resolver casos de união. Identifica-se com pessoas vaidosas e impetuosas, cuja velocidade de pensamento, a tagarelice e alegria são traços fortes.
Na mitologia:
O maior e mais importante rio da Nigéria chama-se Níger, é imponente e da mesma maneira que o rio Amazonas na América do Sul atravessa mais de um país, rasgando territórios, espalhando-se pelas principais cidades através de seus afluentes, ele recebeu o título pomposo de Odò Oya, já que Ya, em iorubá, significa rasgar, espalhar.
Embora seja saudada como a deusa do rio Níger, está relacionada com o elemento fogo.
Certa vez houve uma festa com todas as divindades presentes.
Obaluaê chegou vestindo seu capucho de palha.
Ninguém o podia reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele.
Oyá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra.
Tanto girava Oyá na sua dança que provocava vento. E o vento levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê.
Para surpresa geral, era um belo homem! O povo o aclamou por sua beleza.
Obaluaê ficou mais do que contente com a festa e em recompensa, dividiu com ela o seu reino. Fez de Iansã a rainha dos espíritos dos mortos.
Rainha que é Oyá Igbalé, a condutora dos eguns.
Oyá então dançou de alegria, para mostrar a todos o seu poder sobre os morto. Quando ela dançava agora, agitava no ar o iruexim, que afasta os eguns para o outro mundo.
Rainha Oyá Igbalé, a condutora dos espíritos.
Qualidades de Iansã:
Abomi: Tem fundamento com Xangô.
Adaganbará: Tem fundamento com Bará.
Afefe: Comanda os ventos e tem caminhos com Obaluaiê e Egun. Veste vermelho e branco, usa o coral e o chorão de seu adé (coroa) é alaranjado .
Afefe Iku Funã: Senhora do fogo e do vento da morte. Caminha com Ogum e Obaluaiê. Veste branco ou azul-claro.
Ate Oju: Iansã Igbale num aspecto sombrio, quando caminha com Nanã.
Bagburê: Não tem fundamento com nenhum Orixá. Identifica-se exclusivamente com o culto de Egunguns (ancestrais africanos).
Biniká: A senhora do vento quente, ligada a Oxumarê e Omolu.
Furé: Usa uma foice na mão esquerda e um iruexim na direita, veste branco e por cima de suas vestes a palha da costa. Dança como se estivesse carregando na cabeça uma enorme cabaça. Em suas vestes vão pequenas cabaças penduradas, no tornozelo direito uma pulseira de aço e preside a vida e a morte.
Igbalé: Está ligada ao culto dos mortos. Quando dança, parece expulsar as almas
errantes com seus braços. Tem forte fundamento com Omulu (em cemitérios), Ogum e Exú.
Tem pleno domínio sobre os mortos, trazendo consigo uma falange de Eguns que ela controla e administra , pois todos temem o seu terrível poder.
Devido a sua relação com Eguns, é proibido vesti-la totalmente de vermelho.
Iamesan: Foi esposa de Oxóssi, meio animal e meio mulher, mãe de nove filhos.
Kará: Veste vermelho, ligada a Xangô, ao fogo, é aquela que carrega o ajerê (peça em madeira maciça com chifres esculpidos) fervendo na cabeça.
Leié: O vento dos pássaros, veste estampado, ligada a Ewá.
Maganbelle: Iansã que tem a dificuldade quanto à geração de filhos. Omo Mesan: Mãe de nove crianças, que vem da sua relação com Ogum.
É um orixá que faz as coisas simultaneamente, graças a sua agilidade de espalhar o seu axé no mundo dos vivos e dos mortos.
Ogaraju: Uma das mais antigas no Brasil.
Ogunitá ou Egunitá: É a senhora que caminha com os mortos. Algumas casas tendem a separar esta manifestação de Iansã das demais, criando assim um orixá feminino individual erroneamente. Não existe Orixá Egunitá.
Iansã com essa qualidade, é a senhora da espada flamejante, a mãe, associada a Santa Brígida ou mesmo a Santa Sara Kali dos ciganos.
Onirá: É uma orixá das águas doces cujo culto no Brasil confundiu-se com o de Iansã por ser uma guerreira. Seu culto na África era independente. Tem laços de amizade com Oxum, pois foi Onirá quem ensinou Oxum Opará a guerrear.
É a dona do atori, uma pequena vara usada no culto de Oxalá para chamar os mortos na intenção de fazê-los participar da cerimônia. Também é usado para fazer reinar a paz no local ou na vida de alguém e trazer-lhe abundância. Tem o poder de mandar chover regularmente para trazer a prosperidade.
É ainda a mãe de criação de Logun-Edé Apanan.
Petu: Ligada aos ventos e árvores é ligada a Xangô.
Sinsirá: Tem fundamento com Obaluaê.
Sire: Tem fundamentos com Ossain.
Arquétipo:
Os filhos e filhas de Iansã são audaciosos, intrigantes, autoritáriose vaidosos.
Seu filho é conhecido por seu temperamento explosivo. Está sempre chamando a atenção por ser inquieto e extrovertido. Sempre a sua palavra é que vale e gosta de impor aos outros a sua vontade. Não admite ser contrariado, pouco importando se tem ou não razão, pois não gosta muito de dialogar.
Em estado normal é muito alegre e decidido.
Questionado, as vezes se torna-se violento, partindo para a agressão, com berros, gritos e choro.
Tem um prazer enorme em contrariar todo tipo de preconceito.
Passa por cima de tudo que está fazendo na vida, quando fica tentado por uma aventura.
Em seus gestos demonstra o momento que está passando, não conseguindo disfarçar a alegria ou a tristeza.
Não tem medo de nada. Enfrenta qualquer situação de peito aberto. É leal e objetivo.
Sua grande qualidade é a garra perante as coisas e objetivos; e seu grande defeito é a sua impulsividade como a dos filhos de Ogum. O que lhe prejudica bastante o convívio social e seus planos.
Dotados de inesgotável energia, suas filhas e filhos são dinâmicos, nervosos, irrequietos e intensos. Mulher de sexualidade intensa e assumida.
São pessoas muito animadas e felizes, pois fazem festa com tudo. Tem um forte dom para a magia e uma incrível capacidade de adaptação.
São ciumentas e não toleram rivais e nem serem enganadas. Pouco se importam com opiniões ruins.
São muito orgulhosas, teimosas, rebeldes e não gostam muito dos afazeres domésticos.
Quando apaixonadas são extremamente dedicadas.
Iansã é o tipo de mulher que está mais voltada para o amor sensual do que para o amor maternal. Ama os filhos, mas consegue maior expressão quando se sente admirada, o que geralmente provoca o ciúme e a inveja das outras mulheres.
É também uma mulher que está ligada ao passado.
Estão sempre voltados para o impulso de empreender coisas.
Adornos: Espada de cobre ou Iruexim (cabo de ferro ou cobre com um rabo de cavalo).
Animais: Borboleta e Coruja
Bebida: Gengibre com água da chuva, champanhe doce.
Cores: Vermelha ou Vermelho e Branco.
Data: 4 de dezembro.
Dia: Quarta-feira.
Doenças (fragilidade física): Cegueira, loucura, asma e falta de ar.
Domínios: Ventos, tempestades, raios e eguns.
Elemento: Ar
Emblema: Irúkere, rabo de boi preto.
Ervas: Bambu, levante, pinhão, espada de Santa Bárbara, arruda femea e folha de pitangueira, gerânio, folhas de rosa, açucena e cordão de frade.
Flores: Todas as vermelhas.
Frutas: Romã, manga-rosa, framboesa, caju, pêssego, pitanga, caqui ,maçã, mamão, morango e uva.
Kizila: Ratos e Abóbora.
Metal: Cobre.
Odú: Owanrin.
Oferendas: Acarajé, ekuru (feijão fradinho), abará, batata doce e pipoca
Saudação: Eparrêi.
Sincretismos: Santa Bárbara, Éolo, Tefnut, Belona.
XANGÔ
Deus do raio, do trovão, da justiça e do fogo.
Diferente de Ogum que utiliza fogo artificial, Xangô manipula o fogo em estado selvagem, o fogo que os homens não sabem utilizar.
É um Orixá temido e respeitado, viril e violento, porém justiceiro.
Costuma se dizer que Xangô castiga os mentirosos, os ladrões e malfeitores.
Seu símbolo principal é o machado de dois gumes e a balança, símbolo da justiça e do equilíbrio.
Deus do fogo que pune aos que lhe querem mal com febres e ervas que lhe são atribuídas.
Xangô tem no seu ritmo de dança, o Alujá, a manifestação com toques diferentes, como a dança do machado, a dança da guerra.
Branda orgulhosamente o seu Oxê (machado) ora cortando para o bem, ora cortando para o mal.
Na cadência, faz o gesto de que vai pegar as pedras de raio e lançá-las sobre a terra, demonstrando seu lado atrevido.
Xangô foi o quarto rei lendário de Oyo, na Nigéria, tornado-se um orixá de caráter violento e vingativo, cuja manifestação são: o fogo, o sol, os raios, as tempestades e os trovões.
Filho de Oranian e Yamasse (Torosi), teve várias esposas, sendo as mais conhecidas: Iansã, Oxum e Obá.
Enquanto Oxóssi é considerado o rei da nação de Ketu, Xangô é considerado o rei de todo o povo Iorubá. Xangô foi um grande rei que unificou todo um povo.
Foi ele quem criou o culto de Egungun (antepassados).
Muitos Orixás possuem relação com os Egunguns mas ele é o único que, verdadeiramente, exerce poder sobre os antepassados.
Xangô era forte, valente, destemido e justo. Era temido, e ao mesmo tempo adorado. Comportou-se em algumas vezes como tirano, devido a sua ânsia de poder, chegando até mesmo a destronar seu próprio irmão, para satisfazer seu desejo.
Da natureza, ele conseguiu profundos conhecimentos e poderes de feitiçaria, que somente eram usados quando necessário. Tem também uma ligação com Oxumaré, considerado como seu fiel escudeiro.
Na mitologia:
Num tempo muito antigo na África, houve uma guerreira chamada Oduduá, que vinha de uma cidade do Leste e que invadiu com seu exército a capital de um povo então chamado Ifé.
Quando Oduduá se tornou seu governante, essa cidade foi chamada Ilê-Ifé.
Quando Oduduá morreu, seus filhos fizeram a partilha dos seus domínios, e Acambi (um deles) ficou como regente do reino de Oduduá até sua morte, embora nunca tenha sido coroado rei.
Com a morte de Acambi, um de seus irmãos, Oranian, tornou-se rei de Ilê-Ifé.
Era o mais jovem deles, que tinha se tornado um homem rico e poderoso.
Mais tarde, Oranian teve um filho com a princesa Yamasse (Torosi).
Esse filho ganhou o nome Xangô, e era o grande guerreiro que governava Cossô, pequena cidade localizada nas cercanias da capital Oyó.
Alguns relatos afirmam que Xangô destronou seu próprio irmão, Dadá-Ajaká, para tomar o seu lugar e o exilou como rei de uma pequena e distante cidade.
Xangô foi assim coroado o quarto Alafim de Oyó, o rei da capital de todas as grandes cidades Iorubás.
Quando não fazia a guerra, cuidava de seu povo.
No palácio recebia a todos e julgava suas pendências, resolvendo disputas e fazendo justiça.
Um dia mandou sua esposa Iansã ir ao reino vizinho dos baribas e de lá, trazer para ele uma tal poção mágica, a respeito da qual ouvira contar maravilhas.
Iansã foi e encontrou a mistura mágica, que tratou de transportar numa cabaça.
Xangô ficou entusiasmado com a nova descoberta e subiu a uma elevação, levando a poção mágica e lá do alto começou a lançar seus assombrosos jatos de fogo.
Os disparos incandescentes atingiam a terra, chamuscando árvores, incendiando pastagens, fulminando animais. O povo, amedrontado, chamou aquilo de raio.
Aquele barulho intenso, aquele estrondo fenomenal, que a todos atemorizava e fazia correr, o povo chamou de trovão.
Os conselheiros do reino se reuniram e enviaram o ministro Gbaca, um dos mais valentes generais do reino, para destituir Xangô.
Cumprindo a sentença imposta pela tradição, Xangô se retirou para a floresta e numa árvore se enforcou, mas ninguém encontrou seu corpo e logo correu a notícia, alimentada com fervor pelos seus partidários, que Xangô tinha sido transformado num Orixá.
O rei tinha ido para o Orun e por todas as partes do império os seguidores de Xangô proclamavam:
Caô Xangô, Cabecilê!
Qualidades de Xangô:
Abomi: Este desdobramento atua principalmente no equilíbrio de raciocínio, como
método de defesa nas horas de grande aflição. Atuando em harmonia com Ogum.
Afonjá: Era também Are-Ona-Kaka-n-fo, que quer dizer: líder do exército provincial do império. Afonjá é aquele que está sempre em disputa com Ogum. É o dono do talismã mágico dado por Oyá a mando de Obatalá. É aquele que fulmina seus inimigos com o raio.
Um dos mitos que relata tal passagem, conta que Afonjá e Ogum sempre lutaram entre si, ora disputando o amor da mãe, Iemanjá, ora disputando o amor de suas mulheres: Iansã, Oxum e Obá.
Aganju: Protetor dos lares, da harmonia conjugal. Quer dizer terra firme. Atuando com Iemanjá.
Agodô: Este desdobramento atua presidindo as cerimônias de fé e de batismo. Grande auxiliar das intuições puras. Atuando com Oxum, segura dois Oxês (machados).
Alafin: Dono do palácio real é o governante de Oyó. Vem numa parte de Oxalá e anda com Oxaguiã.
Alafin Eché: Consiste na atuação de fazer cessar as tempestades, atuando como energia refreadora e equilibradora. Auxilia oradores intelectuais, inspirando método e orientação. Atua com Iansã.
Alufan: Atua principalmente na função de encaminhar almas desencarnadas, atuando juntamente com Omulu, na justiça e organização desta atividade.
Badé: É o mais jovem da família dos raios, cujo chefe é Kevioss. Corresponde ao Xangô jovem dos nagôs. É irmão de Lokô. Usa roupa azul com faixa atada atrás.
Baru: Na África ele é chamado de maluco, pois durante seu reinado, fez muita besteira. Motivo pelo qual os africanos não o assentam. Não fazia prisioneiros, matava todos.
Jacutá: É o da pedra de raio e a ira de Olorun.
Kaô: Protetor dos que sofrem injustiças, senhor chefe das falanges do oriente.
Kosso: Em sua passagem pela cidade de Kossô, Xangô recebe o nome de Oba Kossô, (rei de Kossô).
Olubé: É muito orgulhoso, intratável e muito bruto.
Olo Roque: Seria o pai de Oxum Apará. Tem fundamento com Odé.
Oranifé: É o justiceiro, reto e impiedoso, que mora na cidade de Ifé.
Tapa: É muito conhecido pelo seu temperamento viril. Não perdoa os erros de seus filhos.
Arquétipo:
Os filhos de Xangô são extremamente autoritários, gostam de exercer influência nas pessoas e dominar a todos. São líderes por natureza, justos, honestos e equilibrados, porém, quando contrariados, ficam possuídos de ira violenta e incontrolável.
Os filhos de Xangô são tidos como grandes conquistadores, são fortemente atraídos pelo sexo oposto e a conquista sexual assume papel importante em sua vida.
Não admitem ser enganados.
Mais instintivo que racional, muito apegado a mãe, temem a morte, não por covardia, mas por amar demais a vida.
Possuem obstinação, inteligência, ponderação e altivez.
Eloquentes, sociáveis e bons ouvintes, mas gostam sempre de dar a última palavra, mostrando que também são autoridades.
As vezes contraditórios, mas conseguem estabelecer amizades duradouras.
Gostam de comer e beber bem, é um apreciador das coisas boas da vida e gosta de compartilhar tudo com aqueles a quem estima, pois faz parte de sua natureza agradar os amigos.
A ambição do filho de Xangô é enorme e desde jovem ele procura o sucesso e a fortuna. Mas às vezes gasta as suas energias em atividades que não são as mais indicadas.
Nestas ocasiões deve ser deixado à vontade, pois é através dos erros e tentativas que vai encontrar sua vocação. É difícil um filho de Xangô admitir que esteja errado, ele é inflexível e intratável quando contrariado, mas quando entende e aceita a situação com profundidade, é pra sempre.
Seus inimigos serão tratados com rigor e ele fará tudo para desacreditá-los frente aos outros. Mas por maiores que sejam as provações que ele tenha que passar, haverá sempre uma sorte fantástica a protegê-lo que o anima e encoraja a prosseguir.
Apesar de autoritário a bondade do filho de Xangô é grande, ele concilia severidade com justiça, exigência com reconhecimento e cobrança com recompensa.
Um dos seus defeitos é a falta de criatividade, já que ele não è muito bom para inventar. Prefere aperfeiçoar o que já foi criado.
Sua franqueza faz com que colecione alguns inimigos durante a vida, o que não o impede de continuar agindo desta forma.
Os filhos de Xangô têm boas aptidões para ganhar dinheiro, mas também tem grande capacidade de gasta-lo. Esbanjam bens pouco duráveis, sem preocupação de criar um patrimônio sólido que o garanta na velhice.
Sua capacidade de aprendizagem está mais ligada aos aspectos práticos do que aos teóricos.
O filho de Xangô não gosta de pessoas pessimistas. Ele quer alguém ativo e dinâmico, com vontade de manter a relação nova, sempre.
Discussões e desentendimentos são comuns, ele não gosta de ser cobrado ou vigiado, embora considere seus esses direitos, é zeloso com o que considera seu.
Quando mais maduro e vivido, torna-se muito mais estável e sincero e é nesta faze da vida que suas relações tornam-se duradouras.
Sua vida profissional começará cedo, tem a sua disposição carreiras que o coloquem em contato com o público, tais como, vendas, política, advocacia e tudo que seja ligado à justiça, mercado financeiro e administração de bens de terceiros também lhe cabem.
É crítico, mas faz as suas observações abertamente.
E com a mesma sinceridade com que critica, também distribui elogios a quem os mereça.
Não gosta de projetos a longo prazo pois se impacienta com a espera por resultados.
Adorno: Oxê (machado de duas lâminas).
Animais: Galo vermelho e Búfalo
Bebida: Água mineral, água de coco, cerveja preta.
Cores: Marrom ou Vermelho e branco.
Data: 29 de junho
Dia: Quarta-feira
Domínios: Justiça, pedreiras, raios, trovões e o fogo.
Doença (fragilidade física): Coluna vertebral e obesidade.
Elemento: fogo
Ervas: Alecrim do campo, folhas de limão, folhas de mangueira, folhas da goiabeira, folhas de uva, folhas de beterraba, babosa, guiné, levante, lírio, folhas da ameixeira, manjericão, sabugueiro, manjerona.
Ferramentas: Oxé, Xerém, gamela (bacia de madeira), pilão, balança e o livro.
Flores: Palmas amarelas, monsenhor amarelo, violetas, saudades, crisântemos, cravos amarelos e vermelhos.
Frutas: Abacaxi, graviola, banana prata, morango e romã.
Kizila: Açucar
Metal: Bronze e cobre.
Odú: Eli Laxeborá e Obará
Pedra: Granada, quartzo olho de falcão ou quartzo olho de tigre, jaspe.
Oferendas: Ajobó, rabada, acarajé, amalá de quiabo, frutas, azeite-de-dendê, muita pimenta, canjica branca, e carne de carneiro.
Saudação: Kaô Cabiecilê.
Sincretismos: São Jerônimo, Zeus, Mafdet e Júpiter
IEMANJÁ
Iemanjá é o Orixá africano do povo Egba e divindade das águas salgadas. Seu culto principal situava-se em Abeokuta e outros povoados na beira do rio Ògùn.
Manifesta-se em iniciados em seus mistérios (eleguns).
Principalmente no Brasil, seu culto passou por novas reinterpretações. Também consolidou-se a atribuição de Mãe de todos os Orixás e consequentemente seu papel na gênese da vida.
Iemanjá, a grande mãe, o oceano que origina tudo, de seu ventre saíram todos os orixás. Como toda matriarca, é benevolente e preocupada com o bem estar de todos, mas exerce uma autoridade mais pela astúcia do que pela força.
No Brasil é a deusa do mar, enquanto na Nigéria, é a deusa de um rio e orixá dos Egbá, onde existe o rio Yemonjà.
A Iemanjá mais antiga é Iyá Sagba, que quer dizer, a Mãe que passeia sobre as ondas. Nela ficam condensadas as características das diversas entidades femininas.
Qualidade Positiva: Magnitude, criatividade, destemor, constância, gestação.
Aspecto Negativo: Rudeza, insensibilidade, medo demasiado, excessivo, crueldade, orgulho desmedido, gula.
Iemanjá, é vista um pouco menos feminina que algumas outras Orixás, porque é mãe dos Orixás e é claro, mais velha e inibida. Apesar de seus gestos meigos, ela mostra menos interesse em dar-se ou prestar atenção aos outros.
Representa a gestação e a procriação e é invocada para trazer prosperidade.
Se Exú fecunda e Oxum cuida da gestação, é Iemanjá quem vai receber aquela nova vida no mundo e entregá-la ao seu regente, que inclusive pode ser até ela mesma.
Isto tem uma importância muito grande, no sentido e na visão da Cultura Africana, sobre a fecundação e concepção da vida humana.
É um Orixá que tem o poder da curar as doenças com água, sem precisar de sangue.
Chamada também como a Deusa das Pérolas, Iemanjá é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento do nascimento.
Iemanjá é o sentindo de educação que damos aos nossos filhos, os mesmos que recebemos de nossos pais, que aprenderam com nossos avós, representando as famílias e as gerações.
Na mitologia:
Olodumaré fez o mundo e repartiu entre os Orixás vários poderes, dando a cada um reino para cuidar.
Para Iemanjá, Olodumare destinou os cuidados da casa de Oxalá, assim como a criação dos filhos e de todos os afazeres domésticos.
Iemanjá trabalhava e reclamava de sua condição de menos favorecida, afinal, todos os outros deuses recebiam oferendas e homenagens e ela, vivia como escrava.
Durante muito tempo Iemanjá reclamou dessa condição e tanto falou nos ouvidos de Oxalá, que este enlouqueceu. O ori de Oxalá não suportou os reclamos de Iemanjá e ficou enfermo.
Iemanjá deu-se conta do mal que fizera ao marido e em poucos dias curou Oxalá.
Oxalá agradecido foi a Olodumarê pedir para que deixasse a Iemanjá o poder de cuidar de todas as cabeças. Desde então Iemanjá recebe oferendas, é homenageada e tida como um dos principais Orixás.
Qualidades de Iemanjá:
Akurá: Vive nas espumas do mar, aparece vestida com lodo do mar e é coberta de algas.
Bomí: É a mais velha, manca de uma perna devido a uma luta com Bará e é feiticeira.
Ataramaba: Nessa forma ela está no colo de seu pai Olokun.
Ataramogba: Vive na espuma da ressaca da maré.
Ayio: Muito velha. Veste sete anáguas para se proteger. Vive no mar e descansa nas lagoas.
Olossá: Veste verde-claro e suas contas são branco cristal. É a Iemanjá mais velha da terra de Egbado.
Iemowo: Possui enredo com Oxalá, representa a vida cura doenças da cabeça. Veste branco e cristal.
Iamasse: Iemanjá unida a Oranian, é representada como uma sereia de longos cabelos pretos.
Maleleo: Vive no meio do oceano no lugar onde se encontram as sete correntes oceânicas.
Odo: Tem aproximação com Oxum, e vive na água doce sendo muito feminina e vaidosa.
Ogunté: Guerreira, dona da espada, esposa de Ogum ferreiro, é mãe Akorô e Odé.
Oyo: Benéfica, muito feminina e saudada na cerimônia do Padê. Veste branco, rosa e azul claro.
Saba: Fiadeira de algodão, foi esposa de Orunmilá.
Susure: Ligada à gestação. Voluntariosa e respeitável é a mensageira de Olokun.
Yinaê: Também conhecida como Marabô, mora nas águas mais profundas. É a sereia, ligada à reprodução dos peixes, vem sempre a beira do mar e está ligada a Oxalá e Exú.
Arquétipos:
São imponentes, calmas, sensuais, fecundas e cheias de dignidade. Voluntariosos, fortes, rigorosos, protetores, altivos e algumas vezes, impetuosos e arrogantes. Fazem-se respeitar e são justos, mas formais.
Colocam à prova as amizades que lhes são devotadas e custam muito a perdoar uma ofensa. E se a perdoam, não a esquecem jamais. Mas preocupam-se com os outros, são maternais e sérias.
São boas donas de casa, educadoras pródigas e generosas, podendo com muito carinho, ajudar na criação dos filhos de outros.
São possessivas, ciumentas e gostam de viver em ambientes confortáveis.
Costumam exagerar em suas verdades e alguns filhos, fazem uso de chantagens emocionais e afetivas.
São pessoas que dão grande importância aos seus filhos e mantêm com eles os conceitos de respeito e hierarquia sempre muito claros.
Sempre prontos a se envolver com os problemas de todos; tanto que pode se revelar um excelente psicólogo.
São extrovertidos e sempre sabem de tudo, mesmo que não saibam.
Os filhos de Iemanjá são quase sempre sensíveis, emotivos, e podem ter dupla personalidade, não no sentido de serem falsos. Mas no sentido de estarem bem um dia, risonhos, abertos, tranquilos e no outro, estarem mais fechados, mais introspectivos, dando a impressão de que estão de mal humor.
São metódicos e sentem fascinação por tudo que seja oculto.
Possuem tendência a mais de um casamento, mas enquanto estão casados, são extremamente fiéis e comprometidos com o companheiro.
Quando se revoltam são comparados as ondas do mar e por isso, devem evitar de guardar sentimentos que não lhe fazem bem, ou deixar pra lá alguma situação que o incomodou, pois isso tende a aumentar por dentro e quando sair, ser bem pior e maior do que quando entrou.
Muitas vezes, vive em um constante vai e vem por toda a vida, mais no sentido de trabalhos.
Isso é um cuidado grande que os filhos tem que tomar, pois correm o risco de seguirem carreiras que nada tem a ver com seus dons e talentos, tornando a pessoa amarga e infeliz durante a vida profissional.
As mulheres de Iemanjá são muito mais mãe do que esposa e bastante independente em relação aos homens, maridos, amantes, ou pai.
Adornos: Abebé (leque de metal prateado com a figura de um peixe)
Animais: Todos os peixes, galinha branca e ovelha branca
Bebidas: Água de coco, água salgada, champanhe branca ,vinho branco e suco de seus frutos.
Cores: Branco, azul-claro e prateado.
Data: 02 de fevereiro.
Dia: Sábado.
Doenças (fragilidade física): Barriga e seios, obesidade e câncer de mama.
Domínios: Maternidade (educação), saúde mental e psicológica.
Elemento: Água.
Ervas: Jasmim, folha-da-costa, graviola, capeba, musgo marinho, alecrim, rosas brancas, lavanda, alfazema e alcaparra.
Flores: Rosas e palmas brancas.
Frutas: Mamão, graviola, uvas brancas, melancia, côco e uva.
Metal: Prata e platina.
Odú: Irossun e Ossá
Oferendas: Manjar, camarão seco, bolo de arroz e mamão, peixe e milho branco.
Pedras: Cristal e água marinha.
Saudação: Odoiá ou Odofiabá.
Sincretismos: Nossa Senhora da Conceição, Anfitrite, Hathor, Abeona e Adeona
OXUM
É genitora por excelência, ligada particularmente à procriação. Deusa das águas doces, reina sob os rios.
Vaidosa, foi a segunda esposa de Xangô, tendo vivido anteriormente com Ogun e Oxossi. Maternal, carinhosa e muito carinhosa com as crianças é a amante da beleza e dos adornos.
Também é chamada de Iyálode, título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade.
Oxum representa a mãe da criação que toma conta dos filhos dos outros em gestação até o décimo sexto dia de nascimento.
Diz-se que ela é provedora, atende as necessidades dos outros e que, portanto, merece o reconhecimento dado a uma mãe.
Orixá que tem nome de um rio da Nigéria e representa o amor incondicional.
Á Oxum pertence o ventre da mulher e ao mesmo tempo controla a fecundidade. Por isso as crianças lhe pertencem.
Por um lado é a moça faceira e sedutora, por outro, preside os mistérios femininos, a maternidade, a magia, profundezas da imaginação, a riqueza, crescimento e a fecundidade.
É a estrela mostrando sua luz na imensa escuridão da mente humana.
Poderosa rainha que conquistou o coração de Xangô é dona de uma elegância e de uma astúcia surpreendente.
Evita abortos e complicações durante a gravidez, conhece o segredo da vida, nas não o revela. É considerada a dona do ovo, símbolo da fertilidade e que evoca a ideia de fartura e riqueza. Governa as ervas antissépticas e desinflamatórias.
Na mitologia:
Sempre que Oxalá queria saber de algo, consultava Ifá, o Senhor da adivinhação, para que ele visse o destino a ser seguido. Ifá, por sua vez, sempre dizia à Oxalá:
- Pergunte a Exú, pois ele tem o poder de ver os búzios!
E este acontecimento se repetia a cada vez que Oxalá precisava saber de algo.
Isto intrigou Oxum, que pediu ao pai para aprender a ver o destino. E Oxalá disse à filha:
- Oxum, tal poder pertence a Ifá, que deu a Exú, o conhecimento de ler e interpretar os búzios.
Curiosa Oxum procurou Exú para lhe ensinar os segredos dos búzios.
- Ensina-me, Bará ! Eu também quero saber como se vê o destino.
Ao que Bará respondeu:
- Não, não! O segredo é meu, e me foi dado por Ifá. Isso eu não ensino!
Exú estava intransigente e sendo assim, Oxum foi para a floresta, onde viviam as Yámi Oxorongás.
Em dado momento deparou-se com as Yámis empoleiradas nas árvores. Entre risos e gritos alucinantes, perguntaram à jovem Oxum:
- O que você quer aqui mocinha?
- Gostaria de aprender a magia! - Disse Oxum, em tom amedrontado.
- E por que quer aprender a magia?
- Quero enganar Exú e descobrir o segredo dos búzios!
Elas aceitaram, mas advertiram que sempre que Oxum usasse o feitiço, teria que fazer-lhes uma oferenda. Oxum concordou e partiu.
Em seu reino, Oxalá já se preocupava com a demora da filha que ao chegar, foi diretamente ao encontro de Exú.
Ao encontrar-se com este, Oxum insistiu:
- Ensina-me a ver os búzios, Exú?
- Não! Foi sua resposta.
Oxum, então, com a mão cheia de um pó brilhante, mandou que Exú olhasse e adivinhasse o que tinha escondido entre os dedos. Bará chegou perto e fixou o olhar.
Oxum, num movimento rápido, abriu a mão e soprou o pó no rosto de Bará, deixando-o temporariamente cego.
- Ai! Ai! Não enxergo nada, onde estão meus búzios? Gritava Bará.
Oxum, fingindo preocupação e interesse em ajudar, disse a Exú:
- Eu os procuro!!! Quantos búzios formam o jogo?
- São 16!!! Procure-os para mim, procure-os!
- Tem certeza de que são 16? E por que seriam 16?
- Ora, ora, porque 16 são os Odus e cada um deles fala 16 vezes, num total de 256.
- Ah! Sei. Olha, Bará, achei um, ele é grande!
- É Okanran! Ai! Ai! Não enxergo nada!
E assim foi, até chegar ao ultimo Odu e finalmente, Oxum entender como se jogava.
Qualidades de Oxum:
Agba Ilu: É uma velha Oxum, a mais idosa de todas e chefe das mulheres. Avó amorosa é uma mulher que tem numerosos filhos e netos. Mas é bastante severa e autoritária.
Aboto: Oxum muito jovem e vaidosa, que usa colares de contas de louça amarelo claro.
Ajagura: Oxum guerreira que leva espada, jovem, casada com Aganju, rival de Iansã.
Ajímu: É outro tipo de Oxum velha. Veste-se de azul claro ou cor de rosa.
Apará: Seria a mais jovem de todas e guerreira que acompanha Ogum ou Xangô, vivendo com eles pelas estradas. Leva uma espada na mão e pode vestir-se de cor de rosa.
Alanlá: Uma das mais velhas que também tem ligação com as bruxas.
Ewuji: Oxum maternal e generosa, saudada no padê.
Oxogbó: Recebe o nome de uma importante cidade Iorubá. É a ela que devem se dirigir todas as mulheres que queiram dar à luz ou que procuram saúde para toda a gestação.
Popolokum: Que reina nas lagoas.
Yeye Karê: É um tipo de Oxum mais velha, autoritária, guerreira e agressiva.
Iya Omi: Oxum saudada no Xirê (roda). É aquela que faz perguntas a Exú no jogo de Ifá.
Yeye Odo: Oxum das fontes reina nas nascentes dos rios.
Yeye Olokó: Oxum que vive nas florestas.
Yopondá: Oxum guerreira, casada com Oxossi Iboalama, mãe de Logun Edé . Yeye Pondá é a verdadeira Oxum Ijexá (roda de dança). Vive na floresta com o marido, leva uma espada e veste-se de amarelo ouro.
Arquétipos:
As filhas e filhos da Oxum, não se zangam com facilidades. Não gostam de brigas, não sabem dizer não e adoram crianças pequenas.
Alguns são ambiciosos, adoram o luxo, o conforto e a riqueza e julgam que para vencer na vida, consiste em usar seus encantos para conseguir o que querem.
Adoram a ideia de poder ajudar e cuidar dos fracos.
Afetivos e altruístas, também possuem o lado inverso: intrigantes, mentirosos e interesseiros.
É bom esclarecer que o comportamento também sofre a influência do Orixá que faz a dualidade com ela e claro a cultura, educação e orientação individual.
Os homens também sofrem o efeito desta energia quando ela faz polaridade com a entidade principal do homem.
Claro que existem muitos casos em que ela é a principal. Pelo menos é a que tem a atuação mais forte e isto ocorre principalmente quando o homem é filho de determinados Orixás como: Oxalá, Ossain e Oxóssi.
Tornando-os pessoas extremamente emotivas, instáveis, inconstantes, podendo ser infiéis, levianos e até fúteis.
Algumas filhos ou filhas são ingênuos, crédulas, infantis, preguiçosos, moles, indecisos, precisando sempre de um incentivo maior. Muito criativos e péssimos competidores.
As pessoas de Oxum são pessoas muito apegadas a beleza física e colocam a aparência como uma de suas prioridades.
Gostam de serem observados e são extremamente vaidosos.
Gostam de trabalhos manuais onde sua adaptação é rápida e possa ser admirada pelos outros.
Inclinadas a arquitetura, às ciências ocultas, religiões, comércio, eletrônica, publicidade, culinária, pintura e desenho.
Possuidores de grande sensibilidade espiritual são grandes espiritualistas.
Adornos: Abebê (leque de metal) e espelho de mão.
Animais: Pombo e abelha.
Bebida: Espumante.
Cores: Todos os tons de amarelo.
Data: 8 de Dezembro
Dia: Sábado
Doenças (fragilidade física): doenças ligadas ao aparelho reprodutor.
Domínios: Rios e cachoeiras.
Elemento: Água.
Ervas: Agrião do Pará, alfavaca, arapoca-branca, azedinha, bananeira, camomila, erva cidreira, erva-de-Santa-Maria, ipê-amarelo, calêndula e vassourinha-de-botão
Flores: Girassol, crisantemos amarelos, rosas amarelas e margarida.
Frutas: Mamão, banana ouro, melão amarelo e bergamota.
Kizilas: Barata, cajá e carambola.
Metal: Cobre, ouro.
Oferendas: Omolocum (feijão fradinho, cebola ralada, pó de camarão, sal, azeite de dendê e 16 ovos), Ipetè (massa de inhame cozida temperado com cebola e camarão seco), Wuado (milho torrado e moído com mel), Vatapá, Canjica amarela cozida e quindim.
Odu: Oxé.
Pedra: Quartzo amarelo, citrino, olho de tigre e calcita amarela.
Saudação: Ora Iê Iê ô (salve mãe doce)
Sincretismos: Nossa Senhoras, Afrodite, Isis e Vênus.
NANÃ
Nanã é sem dúvida uma das mais antigas Orixás e suas características são muito diversas.
Orixá dos mistérios, é uma divindade de origem simultânea à criação do mundo, pois quando Oduduá separou a água parada que já existia e despejou o saco da criação com terra no ponto de contato desses dois elementos, formou-se a lama dos pântanos, local onde se encontram os maiores fundamentos de Nanã.
Senhora de muitos búzios, Nanã sintetiza em si a morte, fecundidade e riqueza.
Seu nome designa pessoas respeitáveis e sendo a mais antiga divindade das águas, ela representa a memória ancestral.
É a mãe dos orixás Irokô, Obaluaê e Oxumarê, mas é respeitada como avó de todos os outros Orixás, nesse caso pela antiguidade.
Nanã é o princípio, meio e o fim, o nascimento, a vida e a morte.
Ela é a dona do Axé por ser o orixá que dá vida e a sobrevivência
É senhora dos Ibás que permite o nascimento dos deuses e dos homens.
As águas paradas e lamacentas dos pântanos, têm uma aparência morta a primeira vista, mas existe a vida de plantas e micro organismos, que como as plantas terrestres, buscam nas águas, a vida e o sustento.
Seus cânticos são súplicas para que leve Iku (a morte) para longe a quem permite que a vida seja mantida.
É a força da Natureza que o homem mais teme, pois ninguém quer morrer!
Ela é a senhora da passagem desta vida para outras, comandando o portal mágico e a passagem das dimensões.
Ela é a chuva e a garoa.
O banho de chuva, por isso, é uma espécie de lavagem do corpo, homenagem que se faz à Nanã, lavando-se no seu elemento.
Nanã é a mãe boa, querida, carinhosa, compreensível, sensível, bondosa, mas quando irada, não reconhece ninguém.
Entre os símbolos de Nanã está o Ibiri, que é feito com palitos do dendezeiro e representa a multidão de Eguns que são seus filhos na terra dos homens. Nanã o carrega como mimasse uma criança.
Contudo, o símbolo que melhor sintetiza o caráter de Nanã é o grão, pois ela domina também a agricultura e todo o grão tem que morrer para germinar.
Nanã não roda na cabeça de homem, mas os protege contra feitiços e perigos de morte.
Nanã, vive voltada para a comunidade, sempre tentando realizar as vontades e necessidades dos outros e é segura de suas experiências, pois sabe o momento de agir.
Na mitologia:
No inicio dos tempos, os pântanos cobriam quase toda a terra.
Faziam parte do reino de Nanã.
Quando todos os reinos foram divididos por Olorun e entregues aos orixás, uns passaram a adentrar nos domínios dos outros e muitas discórdias passaram a ocorrer.
E foi dessa época que surgiu esta lenda.
Ogum precisava chegar ao outro lado de um pântano. Sua presença era solicitada com urgência!
Ao começar a travessia que seria longa e penosa ouviu atrás de si uma voz autoritária:
- Volte já para o seu caminho rapaz! - Era Nanã com sua majestosa figura matriarcal que não admitia contrariedades.
- Para passar por aqui tem que pedir licença!
- Como pedir licença? - Retrucou Ogum - Sou um guerreiro, preciso chegar ao outro lado urgente. Há um povo inteiro que precisa de mim.
- Não me interessa o que você é e sua urgência não me diz respeito.
Ou pede licença ou não passa. Aprenda a ter consciência do que é respeito ao alheio.
Ogum riu com escárnio:
- O que uma velha pode fazer contra alguém jovem e forte como eu? Irei passar e nada me impedirá!
Nanã imediatamente deu ordem para que a lama tragasse Ogum para impedir seu avanço.
Foram longos minutos de uma luta sufocante.
Ogum conseguiu sair, mas não conseguiu avançar.
De lá gritou:
- Velha feiticeira!!!! Você é forte não nego, porém também tenho os mus poderes.
Encherei esse barro que chamas de reino com metais pontiagudos e nem você conseguirá atravessá-lo sem que suas carnes sejam totalmente dilaceradas.
E assim fez.
O enorme pântano transformou-se em uma floresta de facas e espadas que não permitiriam a passagem de mais ninguém.
Desse dia em diante Nanã aboliu de suas terras o uso de metais de qualquer espécie.
Ficou furiosa por perder parte de seu domínio, mas intimamente orgulhava-se de seu trunfo:
- Ogum não passou!
Qualidades de Nanã:
Abenegi: Dessa Nanã nasceu o Ibá Odu, que é a cabaça que traz Oxumarê, Odé, Oyá e Iemanjá.
Adjaoci: É a guerreira e agressiva que veio de Ifé, às vezes confundida com Obá.
Ajapá: É a guardiã que mata, vive no fundo dos pântanos, é bastante temida, ligado a lama, a morte, e a terra. Está ligada aos mistérios da morte e do renascimento. Destaca-se como enfermeira que cuida dos velhos e dos moribundos. Nela predomina a razão.
Buruquê: Senhora da terra e do dinheiro é ligada a água doce e usa um ibirí roxo.
Obaia: É ligada a água e a lama. Mora nos pântanos, usa contas de cristal e veste lilás .
Omilaré: É a mais velha e acredita-se ser a verdadeira esposa de Oxalá. Associada aos pântanos profundos e ao fogo é a dona do universo, a verdadeira mãe de Omolu Intoto. Veste musgo e cristal.
Ybain: É a mais temida. Usa cor vermelha e dá origem a outros caminhos.
Oporá: Veio de Ketu e é a mãe de Obaluaê, ligada a terra, temida e agressiva.
Arquétipo:
Pessoas muito calmas, gostam de crianças e sempre aparentam mais idade.
São pessoas decididas, simpáticas, mas de vez em quando, se tornam ranzinzas e rancorosas.
É o tipo de pessoa que não consegue compreender direito as opiniões alheias e nem aceitar que, nem todos pensem da mesma forma que ela.
Suas reações bem equilibradas e a pertinência das decisões, mantem seus filhos sempre no caminho da sabedoria e da justiça. Todos esses dados indicam também, que os filhos de Nanã, sejam um pouco mais conservadores que o restante da sociedade, desejando a volta de situações do passado e modos de vida que já se foram.
Quanto a dados físicos, são pessoas que envelhecem rapidamente, aparentando mais idade do que realmente têm.
Não tem muito senso de humor, mas ao mesmo tempo, tem uma grande capacidade de compreensão do ser humano, como se fosse muito mais velha do que sua própria existência. Por causa desse fator, o perdão aos que erram e o consolo para quem está sofrendo é uma habilidade natural.
Possuem sensatez, perseverança, ordem, objetividade, ou inverso: preguiça, conservadorismo extremo e medo.
Possuem extraordinária resistência física e o tipo psicológico feminino, tem um temperamento severo e austero.
Adornos: Ibirin (cajado feito de palha da costa e búzios).
Animais: Rã.
Bebida: Água da chuva, água de coco e sangria de vinho.
Comida: Acaçá, pipoca, farofa de dendê, peixe cozido com pouco sal, farofa de amendoim torrado, aipim cozido no dendê, sarapatel, feijão com coco e pirão com batata roxa.
Cores: Roxo e branco.
Data: 26 de junho.
Dia: Quarta-feira.
Doenças (fragilidade física): Erisipela, artrite e estomatite.
Domínios: Pântanos, chuva e a morte.
Elemento: Água e terra.
Ervas: Avenca, alfavaca, hortência roxa, folha da fortuna, samambaia e manacá.
Flores: Crisântemos, hibisco, violetas, flores do campo, lírio, orquídea e begônias.
Frutas: Laranja lima, figo, ameixa, melancia, uva escura, melão, fruta do conde, côco seco, banana da terra, abacaxi e jaca.
Kizilas: Multidões e instrumentos de metal.
Metal: Ouro branco, estanho, latão.
Odu: Eji Ologbon
Pedra: Ametista.
Saudação: Saluba Nanã (divindade que separa os espíritos)
Sincretismos: Nossa Senhora de Santana, Reia, Néftis e Angerona
OXUMARÉ
É a cobra-arco-íris. Em nagô, é a mobilidade e a atividade. Uma de suas funções é administrar as forças que dirigem o movimento. Ele é o senhor de tudo que é alongado.
O cordão umbilical que está sob o seu controle, é enterrado geralmente com a placenta, sob uma palmeira que se torna propriedade do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação dessa árvore.
Ele representa também a riqueza e a fortuna, um dos benefícios mais apreciados no mundo dos Yorubás.
É o símbolo da continuidade e da permanência.
Algumas vezes, é representado por uma serpente que morde a própria cauda.
Oxumarê é um orixá completamente masculino, porém algumas pessoas acreditam que ele seja macho e fêmea.
Porém o Orixá feminino que se iguala a Oxumarê é Ewá, sua irmã gêmea, que tem domínios parecidos com o dele.
Enrola-se em volta da terra para impedi-la de se desagregar.
Rege o princípio da multiplicidade da vida, transcurso de múltiplos e variados destinos.
De múltiplas funções, diz-se que é um servidor de Xangô, que seria encarregado de levar as águas da chuva de volta para as nuvens através do arco-íris.
É o segundo filho de Nanã, irmão de Ossain, Ewá e Obaluaê, que são vinculados ao mistério da morte e do renascimento.
Seus filhos usam colares de búzios entrelaçados formando as escamas de uma serpente que têm o nome de brajá.
Na mitologia:
Oxumarê era um rapaz muito bonito e invejado.
Suas roupas tinham todas as cores do arco-íris e suas jóias de ouro e bronze faiscavam de longe.
Todos queriam aproximar-se de Oxumarê, seduzi-lo e com ele se casar.
Mas Oxumarê era também muito contido e solitário.
Preferia andar sozinho pela abóbada celeste, onde todos costumavam vê-lo em dia de chuva.
Certa vez Xangô viu Oxumarê passar, com todas as cores de seu traje e todo brilho de seus metais.
Xangô conhecia a fama de Oxumarê de não deixar ninguém se aproximar. Preparou então uma armadilha para capturar o Arco-Íris.
Mandou chamá-lo para uma audiência em seu palácio e quando Oxumarê entrou na sala do trono, os soldados de Xangô fecharam as portas e janelas, aprisionando Oxumarê junto com Xangô.
Oxumarê ficou desesperado e tentou fugir, mas todas as saídas estavam trancadas pelo lado de fora.
Xangô tentava tomar Oxumarê nos braços e Oxumarê escapava, correndo de um canto para outro como uma ágil serpente.
Não vendo como se livrar, Oxumarê pediu ajuda a Olorum, que ouviu sua súplica.
No momento em que Xangô imobilizava Oxumarê, ele então literalmente, foi transformado numa cobra que Xangô largou com nojo e medo.
A cobra deslizou pelo chão em movimentos rápidos e sinuosos.
Havia uma pequena fresta entre a porta e o chão da sala e foi por ali que escapou Oxumarê.
Assim livrou-se Oxumarê do assédio de Xangô.
Olorun presenciou o acontecimento de Orun e Oxumarê foi encarregado de levar água da Terra para o palácio de Xangô, mas Xangô nunca mais pôde se aproximar de Oxumarê.
A Kundalini:
A Kundalini é a serpente adormecida em nós que pode ser despertada pouco a pouco, com a aplicação do autoconhecimento e do autoequilíbrio.
É o despertar dos dons, até acender definitivamente a chama de nossa coroa espiritual, nosso arco-íris.
Oxumaré atua sobre o emocional dos seres e na força de nossa Kundalini.
Então podemos dizer que Oxumaré rege o Sistema Nervoso que pode ser dividido, em Sistema Nervoso Central, Sistema Nervoso Autônomo e Sistema Nervoso Periférico.
Essas são as nossas “serpentes físicas”.
Qualidades de Oxumarê:
Dan: Corresponde ao nome Jeje de Oxumaré. É a cobra que participou da criação. É uma qualidade benéfica ligada a chuva e à fertilidade de abundância.
Dangbé: É um Oxumaré mais velho que seria o pai de Dan. Governa os movimentos dos astros e possui uma grande intuição.
Pode ser um adivinho esperto.
Becém: Dono do terreiro do Bogun, veste-se de branco e leva uma espada.
Becém é um nobre e generoso guerreiro, um tipo ambicioso menos superficial que Dan.
Azaunodor: É o príncipe de branco de Baobá, relacionado com os antepassados.
Come frutas e “leva tudo de dois”.
Frekuen: É o lado feminino de Oxumaré, representado pela Serpente mais venenosa.
O lado masculino de Oxumaré é geralmente representado pelo Arco-Íris.
Arquétipo:
O tipo psicológico dos filhos de Oxumaré é nobre. Fisicamente é esbelto e seus traços são finos.
É dinâmico, inteligente, dotado de espírito curioso e destaca-se pela ironia.
As vezes é esnobe e gosta de se exibir, chegando a ser algumas vezes, excêntrico e extravagante.
Quando rico, é protetor dos jovens de talento, é refinado e civilizado, mas pode ser perigoso pela maledicência quando se sente ameaçado.
Possui uma grande intuição e pode ser um grande adivinho.
São pessoas que tendem à renovação e à mudança e periodicamente mudam tudo na sua vida de maneira radical: mudam de casa, de amigos, de religião e de emprego.
Vivem rompendo com o passado e buscando novas alternativas para o futuro, para cumprir seu ciclo de vida: mutável, incerto e de substituições constantes.
Como as cobras, possuem olhos atentos, salientes, difíceis de encarar e se prendem a valores materiais, as vezes ostentando suas riquezas.
São orgulhosos, exibicionistas, mas também generosos e desprendidos quando querem ajudar alguém.
Extremamente ativos e ágeis, estão sempre em movimento e ação.
Pessoas pacientes e obstinadas na luta pelos seus objetivos e não medem sacrifícios para alcançá-los.
A dualidade do Orixá também se manifesta nos seus filhos, no que se refere às guinadas que dão nas suas vidas, que chegam a ser de 180 graus, indo de um extremo a outro sem a menor dificuldade.
São desconfiados e não dão oportunidade de serem enganados por ninguém.
Tranquilos por natureza, surpreendem quando se comportam de forma inovadora e excêntrica. Alguns deles manifestam sua aversão às convenções usando roupas estranhas. São muito elegantes e procuram manter atitudes com muito requinte.
Adoram jóias caras e autênticas. São também cobiçosos, exigentes, apaixonados, prudentes, astutos e possessivos.
Adornos: Duas cobras de metal, uma em cada mão.
Animais: Cobras e animais rastejantes.
Bebida: Água.
Cores: As 7 cores do arco-íris, ou amarelo e preto.
Data: 24 de agosto
Dia: Sexta-feira.
Doenças (fragilidade física): Vitiligo e espinhas.
Domínios: Riqueza, vida longa, ciclos, movimentos constantes.
Elementos: Água e terra.
Ervas: Folha de café, alfavaca, alfazema, jibóia, oriri, agrião e manjericão branco.
Flores: Todas as amarelas.
Metal: Ouro e prata misturados.
Odú: Iká Ori
Oferendas: Batata-doce amassada, banana frita em azeite doce, omolocum, ovos cozidos com azeite de dendê, farinha de milho e camarão seco.
Pedras: Zirconita e coral.
Kizila: Água salgada , sal, maçã e carambola.
Saudação: Arroboboi.
Sincretismos: São Bartolomeu, Tétis, Meretseguer e Nemestrino
EWÁ
Ewá é considerada a filha mais próxima de Nanã.
Ligada a águas calmas e claras, neve, astros e planetas e tudo que é branco na natureza.
Rege as transformações e a alegria, semelhantes à leveza das nuvens e da chuva.
Ewá é como a lua que tem um reino cheio de imprevistos e miragens. Senhora dos disfarces, das artes, da música e da poesia é a mãe protetora dos artistas. Dona da lagoa.
Orixá muito arisca e de culto raro.
Atributos ou conceitos de Iansá e de Oxum estão contidos em Ewá: transformação, caça, guerra, feminilidade, disfarce, poder, pioneirismo, praticidade e beleza.
Ewá só se mostra para quem ela quer e quando bem entende.
Algumas lendas retratam Ewá como uma mulher correta, vistosa e bastante bela, que detesta fuxicos e que falem alto perto de seus assentamentos.
Ewá é vingativa e ressentida e suas explosões são sem retorno, quando enfurecida.
Senhora das poções e venenos, nas matas confunde os invasores e caçadores com sons de pássaros, gargalhadas e chocalhos de cascavéis. Cria cheiro de fumaça que não existe.
Por isso, o principal pedido que se faz a Ewá em época de grande necessidade, é de que sejamos invisíveis para os inimigos, que desapareçamos perante olhos e ouvidos dos nossos desafetos.
Senhora das artes, das possibilidades, da sensibilidade, da solidão e do desapego mundano.
Como filha de Oduduá, Ewá também pertence ao elemento terra.
Ewá usa um ofá que utiliza na guerra ou na caça.
No seu ritual é imprescindível, dentre outras coisas, a palha da costa e a sua maior kisila (aversão) é a galinha.
Ewá é simbolizada pelos raios brancos do sol, da neve, o sumo branco das folhas, o branco do arco-íris, a saliva e as flores brancas.
Não roda na cabeça de homem.
Ewá domina a vidência, atributo que o deus de todos os oráculos Orunmilá lhe concedeu.
Na mitologia:
Havia uma mulher que tinha dois filhos, aos quais amava mais do que tudo.
Ela ia todos os dias com eles para a floresta em busca de lenha, que ela recolhia e vendia no mercado para sustentar os filhos.
Uma vez, os três estavam no bosque entretidos quando Ewá percebeu que se perdera. Por mais que procurasse se orientar, não pôde achar o caminho de volta.
Mais e mais foram os três se embrenhando na floresta. As duas crianças começaram a reclamar de fome, de sede e de cansaço.
Quanto mais andavam, maior era a sede, maior a fome. As crianças já não podiam andar e clamavam por água. Ewá procurava e não achava nenhuma fonte, nenhum riacho, nenhuma poça d’água. Os filhos já morriam de sede e Ewá se desesperava.
Ewá implorou aos deuses e pediu salvação a Olodumaré.
Ela deitou-se junto aos filhos moribundos e ali mesmo, Ewá transformou-se numa nascente d’água.
Jorrou da fonte água cristalina e fresca e as crianças beberam dela.
A fonte continuou jorrando e as águas se juntaram e formaram uma lagoa.
A lagoa extravasou e as águas mais adiante, originaram um novo rio. O rio Ewá.
Qualidades de Ewá:
Gebeuyin: A primeira a surgir no mundo. Veste vermelho e amarelo claro.
Nas tempestades ela pode se transformar numa serpente azulada.
Gyran: É a deusa dos raios do sol. Controla os raios solares para que eles não destruam a terra. É a formação do arco-íris duplo que aparece em torno do sol. Metade é Ewá e a outra é Oxumarê.
Awó: A Senhora dos mistérios do jogo de búzios. Divindade pouco cultuada no Brasil e tem enredo com Oyá, Odé e Ossaim.
Bamio: A Senhora das pedras preciosas, ligada a Ossaim.
Fagemy: A Senhora dos rios encantados, ela é quem tem o poder de fazer surgir o
arco-íris e tem por obrigação sustentá-lo no céu. Ligada a Airá, Oxummarê e Oxalá.
Salamin: A Senhora guerreira, jovem, habitante das florestas, ligada a Odé e Iemanjá.
Arquétipo:
Os filhos de Ewá são videntes natos. Não necessitam de oráculos para prever o inevitável. Pessoas caladas, misteriosas mas de grande coração.
Seus filhos não aceitam falsidade e a sinceridade é regra de vida.
Dizem o que pensam sem se preocupar com a consequência.
Conservadores na maneira de arrumar sua casa, com bom gosto e simplicidade, são sensíveis, espirituosos, briguentos, mas não teimosos, destemidos e com bom tom de voz.
Amantes do que é belo, estudiosos, persistentes, extremamente exigentes, com boa tendência para a vida intelectual e artística.
Ouvido excelente para o aprendizado de música e idiomas.
São carentes e necessitam de sentir de volta o afeto que dão em abundância.
São de aparência geralmente magra e irrequieta. Seus filhos têm dificuldades para expressar suas reais vontades e sentimentos.
Não são de muito reclamar e são ótimos no serviço que requerem paciência, como as atividades repetitivas e as tarefas domésticas.
As mulheres além de respeitar demais seu companheiro(a), torna a união eterna.
Adornos: Espada, Arpão e Ofá
Animais: Lobos e sabiá.
Bebida: Champanhe.
Cores: Rosa e carmim.
Data: 13 de dezembro
Doenças (fragilidade física): problemas respiratórios e intestinais.
Dia: Quarta-feira.
Domínios: Vidência, sensibilidade, criatividade, lagos e o branco do arco-íris.
Elementos: Água e fogo.
Ervas: Arrozinho, baronesa, golfão, teteregun, pelegun, levante, alfazema e lavanda.
Flores: Brancas e vermelhas.
Metal: Ouro, prata e cobra.
Odú: Ika Ori
Oferendas: Omolocum, milho com côco, batata doce, canjiquinha, banana inteira da terra feita em azeite de dendê com farofa do mesmo azeite.
Pedras: Rubí e quartzo rosa.
Kizila: Galinha, aranha e teia de aranha .
Saudação: Rirró Ewá
Sincretismos: Santa Luzia, Apolo, Tefnut e Febo
TEMPO
Para alguns iniciados, representa o próprio tempo que não pára de passar e se modifica inesperadamente.
Muitos terreiros infelizmentem deixaram de cultuar esse Orixá, pela complexidade de seu ritual ou por confundirem com as energias do Orixá Irôko.
Faz sua morada na Ficus Religiosa e nas mangueiras, mas não é considerdo uma árvore e sim uma divindade que é cultuada ao pé de uma árvore sagrada.
Nas nações Congo e Angola, Tempo é o senhor responsável por obrigações de muito fundamento.
Tempo usa búzios e prefere vestir tonalidades claras. Dança segurando na mão direita uma ferramenta parecida com uma grelha e na outra, segura uma ampulheta. Antes da invenção desse objeto, segurava um galho que com sua precisão, fazia sombra no chão e sabia exatamente o tempo do dia.
Pouco se trouxe de história desse Orixá, mas é através dele que os outros Orixás podiam determinar suas leis, fazerem seus encantos e não perderem o equiíbrio de suas essências e seguir com seus destinos.
Já que destinos e caminhos, dependem do tempo para acontecer.
É o Orixá das transformações, que guia o seu povo nômade através da sua bandeira branca.
Assim, todos que estiverem longe, podem se unir ao líder .Porque o mastro da sua bandeira é tão alto que pode ser visto de qualquer lugar.
O que não deixa os caçadores perdidos (pois os Orixás são em sua natureza, todos caçadores e guerreiros, pois assim a aldeia e seus descendentes estariam garantidos).
Arquétipo:
Os Filhos (raros) de Tempo são introspectivos e até um tanto tímidos, pois a natureza forte desse Orixá, exige deles uma certa introspecção, já que de todos os Orixás, ele é o mais rigoroso com os seus filhos, por ser responsável pelo tempo.
O tempo é eficaz e silencioso.
São simpáticos, discretos, silenciosos, observadores, amigos e conselheiros
Emotivos, mas guardam suas emoções para si ao invés de exterioriza-las.
Lutadores e muito sinceros.
Podem ser retraídos, ciumentos, possessivos, evasivos, descrentes, desconfiados e não perdoarem uma ofensa, mesmo que for inconsciente.
São um pouco frios nos seus envolvimentos emocionais.
Apreciam as coisas religiosas, o estudo, a música suave ou romântica, um pouco de isolamento, conversas construtivas, a companhia de pessoas discretas e de pessoas maduras, reservadas e amorosas.
Adornos: Ampulheta
Animais: Caramujo e Lince.
Bebida: Todas que são envelhecidas em barris.
Cores: Laranja.
Data: Ano todo.
Dia da Semana: Todos.
Doenças (fragilidade física): Paralisias.
Domínios: O tempo e catástrofes naturais.
Elementos: Ar.
Ervas: Mangueira.
Frutas: Manga.
Metal: Ferro.
Odú: Obê Ogundá.
Oferendas: Todas as raízes, cozidas.
Pedra: Diamante.
Saudação: Tempurê.
Sincretismos: Cronos, Sobek e Saturno.
OSSAIM
Ossaim é o Orixá masculino de origem Iorubá que, como Odé Oxóssi, habita as florestas e matas.
Orixá das ervas no Candomblé, conhecedor de todos os segredos das folhas.
É orixá da cor verde e do contato mais íntimo com a natureza.
As áreas consagradas a Ossaim não são os jardins cultuados de maneira tradicional, mas sim os recantos, onde só os sacerdotes podem entrar, nos quais as plantas crescem de maneira selvagem, quase sem controle.
Orixá de grande significação, pois todos os rituais importantes utilizam o sangue-escuro que vem dos vegetais, seja em forma de amassis, banhos, infusões ou para uso de bebida ritualística.
É comum existir um certo preconceito com dois Orixás que muitas vezes são esquecidos, mas existem e se faz necessário o culto: Ossaim e Oxumarê.
O primeiro está presente em todos os rituais através das folhas e o segundo presente em quase todos os rituais, por ser o Orixá das mudanças.
Patrono da farmácia e dos sacerdotes que usam plantas para fins curativos e ritualísticos.
Ossaim é um mago, dotado de um espírito da aventura, de autoconfiança e de força de vontade.
Orixá calmo é o mestre da tranquilidade e da resistência, pois prefere ficar trabalhando nos “bastidores”.
Muito esperto e comunicativo é fascinado pela ação.
O símbolo de Ossaim é uma haste de ferro tendo ao alto, um pássaro de ferro forjado. Esta mesma haste é cercada por seis varetas pontuadas dirigidas em leque para o alto. O pássaro é a representação do poder de Ossaim. É o mensageiro que vai à toda parte, volta e se empoleira sobre a cabeça de Ossaim para lhe fazer o seu relato.
Este símbolo do pássaro representa o Axé e o poder bem conhecido das feiticeiras.
Elas mesmas frequentemente chamadas de Yiamis, são as legítimas proprietárias do Pássaro-Poder.
No culto das Yiamis, as folhas são como as escamas dos peixes e as penas dos pássaros. São e representam o procriado, um elemento essencial para os humanos.
O Abô (ritual parecido com o Amassi de Umbanda) é algo que não pode faltar nos rituais de Ossaim, que vai dar o encanto e vai possibilitar a presença da força cósmica desse importante Orixá.
Banhos de Abô:
Valeriana - Para defesa, tirar o stress e é calmante.
7 Sangrias - Defesa do mal olhado.
Urucum - Descarrego, defesa (tipo escudo).
Pimenta de macaco - Aumento da sexualidade, desperta o atrativo.
Pata de vaca - Fortalecer o espírito.
Dandá - Para combater o desânimo, cansaço e renovar as forças.
Quina quina - Defesa, descarrego de energias ruins.
Urtiga - Para equilíbrio das funções orgânicas e emocionais.
Barba de Velho - Lavagem, limpeza íntima.
Alfavaca - Aumenta a defesa contra a inveja.
Cabeça de negro - Defende doenças de fundo mental e descarrega.
Quebra demanda - Para quebrar demandas e feitiços.
Picão preto - Para indisposição física e emocional.
Picão branco - Quebra a demanda e devolve o feitiço.
Pau tenente - Controlador de equilíbrio físico.
Parapiroba - Quebra demanda.
Nó de cachorro - Estimulante da sexualidade.
Catuaba - Para maior concentração, estimulante.
Chapéu de Napoleão - Energético, renovador de forças.
Unha de gato - Para quem está saindo das grandes demandas, reforço.
Comigo ninguém pode - Para se tornar forte e combatente.
Na mitologia:
Osssaim recebeu de Olodumaré o segredo das folhas.
Ossaim sabia que algumas delas traziam a calma ou o vigor. Outras, a sorte, a glória, as honras ou ainda, a miséria, as doenças e os acidentes.
Os outros Orixás não tinham poder sobre nenhuma planta. Eles dependiam dele para manter sua saúde ou para o sucesso de suas iniciativas.
Xangô, cujo temperamento é impaciente e impetuoso, ficou irritado por esta desvantagem e usou de um ardil para tentar usurpar Ossaim com a propriedade nas folhas.
Falou do seu plano para a sua esposa Iansã, dizendo que Ossaim pendurava, num galho de Iroko, uma cabaça contendo suas folhas mais poderosas.
- Desencadeie uma tempestade bem forte num desses dias - disse-lhe Xangô.
Iansã aceitou a missão com muito gosto. O vento soprou grandes rajadas, levando o telhado das casas, arrancando árvores, quebrando tudo por onde passava até chegar no fim desejado, soltando a cabaça do galho onde estava pendurada. A cabaça rolou para longe e todas as folhas voaram.
Os Orixás se apoderaram de todas.
Cada um tornou-se dono de algumas delas, mas Ossaim permaneceu o “senhor do segredo” de suas virtudes e das palavras que devem ser pronunciadas para provocar sua ação.
E assim, continuou a reinar sobre as plantas como senhor absoluto, graças ao poder que possui sobre elas.
Arquétipo:
Pessoas de caráter equilibrado, capaz de controlar seus sentimentos e emoções, são defensores da natureza, porém sem julgar ou condenar.
As simpatias e antipatias, jamais intervém em suas decisões ou influenciam em suas opiniões. São ótimos conhecedores de folhas.
Seus filhos são aqueles que não permitem que suas simpatias e antipatias subjetivas e individuais intervenham em suas decisões, ou influenciem as suas opiniões sobre pessoas e acontecimentos.
Ossaim é reservado, pouco intervindo em questões que não lhe digam respeito.
Não é introvertido, mas não se faz notar pela atividade social.
Os filhos de Ossaim são individualistas no sentido de não se preocuparem com o que acontece fora da sua esfera. São pessoas muito ligadas a religiosidade e pelos aspectos ritualísticos.
A ordem, os costumes, as tradições e os gestos marcados e repetitivos o fascinam.
São pessoas meticulosas, nunca se deixando levar pela pressa ou pela ansiedade, pois são caprichosos.
Por isso as profissões dos filhos de Ossaim, de maneira geral, são aquelas que não precisam de pressa.
São pessoas que não gostam de trabalhar em conjunto, a não ser quando somente o conjunto pode gerar o resultado esperado.
Pela necessidade de isolamento e independência, os filhos de Ossaim podem abraçar profissões artesanais, que exijam o trabalho lento e meticuloso, como um ritual que quando não feito de maneira correta e meticulosa pode botar tudo a perder.
Não aparentam grande força física, mas detém uma grande energia reservada para uso quando necessário.
São capazes de amar, mas não o tempo todo e o silêncio porém, não pode ser de forma alguma, entendido como sinônimo de falta de carinho.
São pessoas fascinadas com as regras e tradições e adoram questioná-las.
Adornos: Haste metálica de sete pontas, com um pássaro de metal no meio.
Animais: Cágado e todas as aves.
Bebida: Vinho tinto.
Cores: Verde e branco, verde e preto e só verde.
Data: 5 de Outubro.
Dia: Sexta-feira.
Doenças (fragilidade física): Membros inferiores, nos ligamentos e articulações.
Domínios: Todas as folhas.
Elemento: Terra.
Ervas: Todas as ervas são de Ossaim.
Flores: Todas as silvestres.
Frutas: Abacate, banana do mato, fruta do conde, pêssego e bergamota.
Kisila: Ratos.
Metal: Estanho.
Pedra: Esmeralda
Odú: Iká
Oferendas: Feijão preto com mel e côco.
Saudação: Eu Eu Assá
Sincretismos: São Benedito, Asclépio, Uadjit e Lupércio.
LOGUN-EDÉ
Logun-Edé é tido como andrógeno, tendo como elemento a terra e água, dominando rios, cachoeiras e matas.
É considerado o Orixá “métametá” que traduz-se: dois ao mesmo tempo.
Logun-Edé congregando a natureza do pai: Odé Erinlè e da mãe Oxum Opandá congrega sua própria natureza.
Um encantador, realizador de prodígios, protetor dos navegantes de água doce, caçadores e protetor dos amores duradouros.
Grande feiticeiro, veste saiote amarelo e um pano azul-turquesa (ojá) amarrado ao ombro.
Usa Ofá como seu pai e abebé de latão como sua mãe, uma couraça, capanga e um berrante.
Sua influência é marcante porque mistura jovialidade e irresponsabilidade.
Logun-Edé sabe ser rude e doce ao mesmo tempo e é outro caçador habilidoso entre os Orixás.
Uma divindade que domina o poder da mutação, possuindo a graça, a meiguice e a faceirice de Oxum e a expansão, firmeza e paciência de Oxóssi.
Se Oxum confere a Logun-Edé axés de sexualidade, maternidade, pesca e a prosperidade, Odé lhe passa os axés da fartura, da caça, da habilidade, do conhecimento e também das resignações.
Essa característica de unir o feminino de Oxum ao masculino de Odé, muitas vezes o leva a ser representado como uma criança, um menino pequeno, ou adolescente, formando mais uma trindade sagrada na história do terreiro.
Tem predileção ao dourado, é um Orixá muito vaidoso e é considerado o mais elegante de todos.
Na mitologia:
No início dos tempos, cada Orixá dominava um elemento da natureza, não permitindo que nada nem ninguém, o invadisse.
Guardavam sua sabedoria como a um tesouro.
É nesse contexto que vivia a mãe das água doces, Oxum, e o grande caçador Odé.
Esses dois orixás constantemente discutiam sobre os limites de seus respectivos reinados, que eram muito próximos.
Odé ficava extremamente irritado quando o volume das águas aumentavam e transbordavam de seus recipientes naturais, fazendo alagar toda a floresta.
Oxum argumentava, junto a ele, que sua água era necessária à irrigação e fertilização da terra, missão que recebera de Olorun.
Odé não lhe dava ouvidos, dizendo que sua caça iria desaparecer com a inundação.
Olorun resolveu intervir nessa guerra, separando bruscamente esses reinados para tentar apaziguá-los.
A floresta de Odé logo começou a sentir os efeitos da ausência das águas.
A vegetação que era exuberante, começou a secar, pois a terra não era mais fértil.
Os animais não conseguiam encontrar comida e faltava água para beber. A mata estava morrendo e as caças tornavam-se cada vez mais raras.
Odé não se desesperou, achando que poderia encontrar alimento em outro lugar.
Oxum por sua vez sentia-se muito só, sem a companhia das plantas e dos animais da floresta, mas também não se abalava, pois ainda podia contar com a companhia de seus filhos peixes para confortá-la.
Odé andou pelas matas e florestas da Terra, mas não conseguia encontrar caça em lugar algum.
Em todos os lugares encontrava o mesmo cenário desolador. A floresta estava morrendo e ele não podia fazer nada.
Desesperado, foi até Olorun pedir ajuda para salvar seu reinado que estava definhando.
O maior sábio de todos explicou-lhe que a falta d’água estava matando a floresta, mas não poderia ajudá-lo, pois o que fez, foi necessário para acabar com a guerra.
A única salvação era a reconciliação.
Odé então colocou seu orgulho de lado e foi procurar Oxum, propondo a ela uma trégua. Como era de costume, ela não aceitou a proposta na primeira tentativa.
Oxum queria que Odé se desculpasse, reconhecendo suas qualidades.
Ele então compreendeu que seus reinos não poderiam sobreviver separados, unindo-se novamente, com a benção de Olorun.
Dessa união nasceu Logun-Edé, que iria consolidar esse “casamento”, bem como abrandar os ímpetos de seus pais.
Logun-Edé sempre ficou entre os dois, fixando-se nas margens das águas, onde havia uma vegetação abundante.
Sua intervenção era importante para evitar as cheias, bem como a estiagem prolongada.
Ele procurava manter o equilíbrio da natureza, agindo sempre da melhor maneira para estabelecer a paz e a fertilidade.
Qualidades de Logun-Edé:
Logun-Edé não possui qualidades. Isso foi estabelecido há muitos anos na África, por ele ser o único Orixá com dualidades definidas e firmadas de axé (Oxóssi e Oxum). Por ser um orixá da transmutação, suas qualidades se perderiam com o tempo.
Arquétipo:
Inconstantes e indecisos, refletem o caráter dualístico da divindade.
Encontram dificuldade em situações onde é preciso se definir. Por isso, além de carinhosos e amorosos, são alternadamente, frios e calculistas.
São extremamente sensíveis a dor e ao sofrimento, que lhes dão a sensação de que o mundo está de cabeça para baixo.
Podem ser masculinos ou femininos e possuem trato social fácil.
Bem humorados, calmos, educados e ambiciosos, dão muito valor ao conforto material.
Tendem a paixão pelo debate e as vezes falam e discutem sem parar, principalmente sobre coisas que lhes agradam. Mas quase sempre, precisam se isolar. Nessa fase, seu interesse pelo ocultismo e pela religião se sobressai.
Otimistas, os filhos de Logun-Edé perseguem seus objetivos com precisão e procuram gastar energia em coisas que gostam.
Mas são como camaleão, costumam mudar de personalidade e de atitudes de forma abrupta.
Traços físicos harmoniosos, estatura mediana a alta, cabeça bem feita, rosto oval
proporcional ao corpo, olhos que atraem e repelem ao mesmo tempo, bons dentes, voz agradável, mas com tendência a engordar.
Sentem imensa compaixão pelas pessoas que sofrem, sempre tentando ajudá-las.
A sinceridade é a maior virtude, porém irritam-se com muita facilidade.
Basta serem contrariados e sua fúria aparece, muitas vezes perdendo o controle de suas ações, custando muito a se acalmarem. Por causa disso, podem perder grandes amigos. São perfeccionistas, querendo tudo ao seu modo. Não admitem erros de outras pessoas, os tornando muitas vezes, arrogantes.
Agem por impulso, aproveitando ao máximo tudo o que a vida lhes oferece. São muito curiosos e espertos.
Quando crianças, adoram desmontar seus brinquedos para ver como são feitos.
Na fase adulta, têm o dom de captar o íntimo das pessoas.
Super imaginativos destacam-se nas artes em geral, como música, teatro e dança.
Adornos: Ofá, Abebê e algumas vezes, o Olugboohun (um tipo de chifre de boi que é usado para emitir um som em reverência a Oxóssi)
Animais: Peixe, cavalo-marinho, pavão e raposa.
Cores: Azul turquesa e o amarelo ouro.
Data: 19 de abril.
Dia: Quinta-feira.
Doenças (fragilidade física): Raquitismo e enxaqueca.
Domínios: Rios e florestas.
Elementos: Água e terra.
Flores: Lírios, rosas amarelas, palma, girassol e todas as flores miudinhas.
Folhas: Oripepê e todas as folhas de Odé e Oxum.
Frutas: Melão, laranja, côco, ameixa amarela, manga, banana-maçã e mamão.
Metal: Ouro e bronze.
Odú: Obará.
Oferendas: Peixe, axoxô (milho com fatias de côco), omulucum e mandioca assada.
Pedras: Topázio e turquesa.
Saudação: Loci loci Logun!
Sincretismos: São Miguel Arcanjo, Artemis, Nefertum e Diana.